Vivemos tempos em que a motivação para descobrir e criar parece estar ameaçada, pela facilidade com que as máquinas nos oferecem a informação, já organizada e interpretada. Se a máquina parece saber tudo por nós, coloca-se uma questão central ao ensino atual: para quê aprender?
É neste contexto que o papel do Professor é cada vez mais posto à prova. E é precisamente a esta questão que Rui Rodrigues, docente do Departamento de Engenharia Informática (DEI), afirma que “a satisfação intrínseca de descobrir coisas, de criar coisas, de fazer coisas acontecer, de entender o que as faz funcionar, e de partilhar isso com os seus semelhantes, humanos naturais”, é a resposta mais óbvia.
Esta visão da educação levou-o a ser distinguido com o Prémio de Excelência Pedagógica, entregue no Dia da FEUP, celebrado no passado dia 13 de janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, um docente do DEI recebe esta distinção, afirmando a consistência e a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido no departamento.
Num contexto em que quem quer aprender pode, muitas vezes, fazê-lo de forma autónoma, Rui Rodrigues defende que o verdadeiro desafio do ensino é: ensinar a gostar de aprender.
“A indiferença hoje em dia é demasiado comum nos estudantes, pelo que interpreto este prémio mais como um reconhecimento dos vários esforços em combater essa indiferença, do que propriamente de um sucesso nesse desafio, que nunca está ganho. Nesse sentido, é um prémio certamente devido a muitos de nós (alguns até mais merecedores), que se esforçam continuamente por encontrar novas formas de fazer a mensagem não só chegar ao destinatário, mas ser interiorizada.”
Essa abordagem tem marcado de forma decisiva o percurso de muitos estudantes. Teresa Matos, orientanda de doutoramento e colega, recorda que foi nas aulas práticas de Computação Gráfica que encontrou a sua área de interesse: “Foi nas aulas práticas do Rui em Computação Gráfica que encontrei a minha área de interesse, e foi depois no Núcleo Estudantil de Computação Gráfica, com o seu apoio constante, que encontrei o meu caminho na FEUP.” Destaca ainda a dedicação incansável do docente, tanto aos estudantes como aos colegas, bem como a sua constante procura por inovação pedagógica. “Ver a sua dedicação incansável dia após dia incentiva-me a esforçar-me por ser uma melhor educadora e investigadora. Considero-o um verdadeiro exemplo de como se ser um excelente Professor.”
Também Pedro Silva, antigo estudante e orientando de mestrado, sublinha não apenas o rigor científico, mas a dimensão humana do docente. Ao longo do seu percurso académico, encontrou em Rui Rodrigues um professor sempre disponível para esclarecer dúvidas e partilhar conhecimento, mas foi durante a dissertação que reconheceu um acompanhamento particularmente marcante. “Foi um auxílio tremendo durante a escrita do documento, seja pelas sugestões acertadas quanto à sua estrutura e conteúdo, como também pelos conselhos que frisou ao longo do processo.” A calma, o humor e a empatia são traços que Pedro destaca como fundamentais para ultrapassar os momentos mais exigentes do percurso académico. “Não há muitos docentes, investigadores e seres humanos como o professor Rui, e espero que continue na FEUP durante muitos anos.”
Para Rui Rodrigues, ensinar continua a ser, acima de tudo, um exercício profundamente humano. Num mundo cada vez mais automatizado, o papel do professor passa por mostrar que aprender não é apenas acumular respostas, mas desenvolver curiosidade, pensamento crítico e vontade de criar — para que os estudantes não fiquem apenas ligados à máquina, mas também uns aos outros.
A atribuição deste prémio, concedido ex aequo à Professora Beatriz Oliveira, do Departamento de Engenharia e Gestão Industrial (DEGI), reconhece não apenas o percurso individual do docente, mas também uma forma de estar no ensino que valoriza a pedagogia como espaço de descoberta, relação e construção de sentido.