Provas de Doutoramento em Media Digitais (PDMD): ”Cultivando a empatia digital: o potencial da produção de narrativas áudio”

Candidata:
Ivone Manuela Neiva Santos

Data, Hora e Local:
29 de janeiro de 2026, 14:30, Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:
Doutor António Fernando Vasconcelos Cunha Castro Coelho, Professor Associado com Agregação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Vogais:
Doutora Marisa Rodrigues Pinto Torres da Silva, Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa;
Doutora Maria Madalena da Costa Oliveira, Professora Associada do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
Doutora Maria José Lisboa Brites de Azeredo, Professora Associada com Agregação da Faculdade de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona;
Doutora Ana Isabel Crispim Mendes Reis, Professora Associada do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Orientadora);
Doutor Ricardo José Pinheiro Fernandes Morais, Professor Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A tese foi coorientada pelo Doutor José Manuel Pereira Azevedo, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Resumo:

A empatia, definida como a compreensão e partilha do estado emocional de outrem, é tida como fundamental para o bem-estar pessoal e para a coesão social. A sua presença tem sido associada a comportamentos pró-sociais e o seu défice a uma maior propensão para comportamentos agressivos. Trata-se de um constructo multidimensional, que integra dimensões cognitivas e afetivas, e intervenções educativas parecem influir positivamente no seu desenvolvimento. Embora se pense que é sobretudo a empatia cognitiva que é sensível à educação, a componente afetiva aparenta beneficiar do conteúdo emocional das atividades. Hoje, a empatia é considerada uma literacia crítica para o ‘cidadão digital’, mas a investigação sobre o tema sugere que a empatia digital, ou online, é mais baixa do que a empatia offline. Tendências como a desatenção, a dessensibilização e a desinibição, estimuladas pela internet, parecem condicioná-la. O facto de a capacidade empática parecer desenvolver-se sobretudo até ao final da adolescência sublinha a importância de se explorarem estratégias que a estimulem ao longo do percurso educativo, por maioria de razão numa era em que a tecnologia digital impregna crescentemente todas as dimensões da vida social. Deste cenário emerge a necessidade de se aprofundar o conhecimento sobre a empatia digital e refletir sobre estratégias educativas para a promover, traduzindo-se nos objetivos que orientaram esta tese. A investigação que a sustenta inclui uma revisão da literatura sobre empatia e sobre as metodologias usadas no seu estudo e promoção. Engloba também uma análise que se pretende crítica do lugar dos ecrãs no quotidiano dos jovens e das diferentes abordagens à relação da empatia com a tecnologia digital. Constituindo o som um veículo privilegiado para a conexão emocional, com características que o tornam resiliente aos ambientes digitais, a revisão abarca ainda uma exploração da literatura sugestiva das possibilidades oferecidas pelos estímulos auditivos e pela narrativa áudio na promoção da empatia.
Suportada nesta revisão, a investigação empírica abrange um estudo descritivo e outro quasi-experimental, envolvendo três instituições educativas de diferentes níveis de ensino e estudantes na faixa etária da adolescência (10-24 anos). 279 estudantes participaram no estudo descritivo e 228 no estudo quasi-experimental, dos quais 76 integraram o grupo experimental. O estudo descritivo mediu e comparou a empatia e a empatia digital dos participantes, através de um inquérito por questionário, construído a partir da adaptação de escalas de autorrelato usadas na investigação sobre empatia nesta faixa etária. No estudo quasi-experimental, foi avaliado o impacto de um programa educativo, concebido a partir da exploração das possibilidades oferecidas pelo som e pela narrativa. Suportado no modelo de aprendizagem baseada na experiência, o programa testado recorre à Educação para os Media com o objetivo de conciliar a aprendizagem técnica com a aprendizagem socioemocional. Organiza-se em dois módulos. O primeiro consiste num conjunto de dinâmicas de grupo em torno do tema da empatia e da sua relação com os ambientes digitais e com estímulos auditivos. O segundo considera o processo de produção de narrativas áudio com conteúdo emocional. O impacto da intervenção foi avaliado quantitativamente, através de um inquérito pré e pós-teste, e qualitativamente, pela análise das narrativas e de outros textos produzidos pelos participantes ao longo do programa.
Globalmente, os resultados do estudo descritivo revelam que a empatia digital é mais baixa do que a empatia e que a componente afetiva é mais baixa do que a componente cognitiva em ambas as escalas. Mostram também que as raparigas apresentam níveis mais elevados nos dois casos. Já a idade parece ser diferenciadora na empatia, mas não na empatia digital, com os resultados a sugerirem que esta não aumenta significativamente ao longo da adolescência, ao contrário daquilo que acontece com a empatia. Sustentam assim a necessidade de se programarem intervenções educativas para a estimular desde os primeiros anos da adolescência e abordando-a na sua multidimensionalidade. O impacto quantitativo da participação no programa avaliado no estudo quasi-experimental não se revelou significativo. Não obstante, a análise qualitativa dos dados sugere que ele constituiu uma oportunidade para a experimentação de práticas empáticas diferenciadas, afirmando-se como um instrumento facilitador da conciliação da aprendizagem técnica com o desenvolvimento da empatia, aplicável a diferentes fases da adolescência, níveis de ensino e contextos educativos.
As conclusões desta investigação reiteram as preocupações expressas na literatura sobre os impactos dos ambientes digitais no desenvolvimento da empatia entre os jovens e sugerem o potencial de programas baseados na produção de narrativas áudio com conteúdo emocional para promover a empatia em contexto educativo, enfrentando as condicionantes que lhe são colocadas pelos ambientes digitais. Com base nestas conclusões, os contributos desta investigação incluem a publicação de um manual, com o objetivo de permitir a disseminação do modelo educativo testado, e de um instrumento de medição da empatia e da empatia digital validado em língua portuguesa, que é, tanto quanto sabemos, o primeiro questionário do género que destaca os estímulos sonoros.

Palavras-chave: empatia digital; produção áudio; narrativa; educação.

Provas de Doutoramento em Media Digitais (PDMD): ”Hibridismo Urbano-Digital e Bem-Estar Social: Estratégias para Fortalecer a Conexão Social nas Cidades”

Candidato:
Acilon Himercírio Baptista Cavalcante

Data, Hora e Local:
26 de janeiro de 2026, 14:30, Sala Professor Joaquim Sarmento (G129) do DECG da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:
Doutor António Fernando Vasconcelos Cunha Castro Coelho, Professor Associado c/ Agregação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Vogais:
Doutora Isabel Alexandra Reis Gonçalves Ferreira, Investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra;
Doutora Ivone Marília Carinhas Ferreira, Professora Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa;
Doutora Ana Isabel Barreto Furtado Franco de Albuquerque Veloso, Professora Catedrática do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro;
Doutor José Manuel Pereira Azevedo, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Orientador);
Doutora Maria Van Zeller de Macedo de Oliveira e Sousa, Professora Auxiliar Convidada do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).

Resumo:

Esta tese investiga a promoção do bem-estar social nas cidades a partir do conceito de hibridismo urbano-digital, o qual considera indissociáveis, no contexto urbano, as interações sociais e espaciais de natureza física e/ou digital. Partindo de uma revisão integrativa de literatura, foram identificados e categorizados indicadores capazes de avaliar, de forma mais abrangente, a eficácia de políticas públicas voltadas para a qualidade de vida em contextos urbanos mediados por tecnologia.
A revisão dos indicadores combinou metodologias tradicionais — como a utilizada no World Happiness Report, publicado pelas Nações Unidas — com métricas relacionadas à saúde física e mental, participação comunitária, perceção de segurança e vitalidade cultural, incorporando ainda variáveis emergentes derivadas do uso de meios digitais. A metodologia de investigação adaptou o mapeamento e a análise crítica desses indicadores à Cartografia da Felicidade de Marichela Sepe, aplicada a contextos de hibridismo urbano-digital, associada a experimentos empíricos de digital placemaking.
Foram conduzidos estudos de caso e experiências de digital placemaking nas cidades do Porto e da Póvoa de Varzim, envolvendo comunidades locais, instituições religiosas e escolas, explorando a mediação tecnológica como catalisadora de vínculos sociais e de ativação de espaços públicos. Mapas de calor das interações, combinados com dados qualitativos recolhidos no terreno, permitiram relacionar padrões de ativação urbana com a morfologia e a paisagem da cidade.
Como principal resultado, a investigação propõe três métricas centrais para a avaliação do bem-estar social em cidades híbridas: Sentimento de Pertencimento, Sentimento de Lugar e Sentimento de Comunidade, analisados nas suas dimensões urbanas, digitais e híbridas.
A principal contribuição consiste na formulação de um modelo integrado de avaliação do bem-estar social urbano, que combina métricas presenciais e digitais e oferece um referencial operativo para o planeamento urbano e para a formulação de políticas públicas, com o objetivo de promover cidades mais inclusivas, participativas e orientadas para o bem-estar coletivo.

Ensinar a querer aprender: Rui Rodrigues distinguido com Prémio de Excelência Pedagógica no Dia da FEUP 2026

Vivemos tempos em que a motivação para descobrir e criar parece estar ameaçada, pela facilidade com que as máquinas nos oferecem a informação, já organizada e interpretada. Se a máquina parece saber tudo por nós, coloca-se uma questão central ao ensino atual: para quê aprender?

É neste contexto que o papel do Professor é cada vez mais posto à prova. E é precisamente a esta questão que Rui Rodrigues, docente do Departamento de Engenharia Informática (DEI), afirma que “a satisfação intrínseca de descobrir coisas, de criar coisas, de fazer coisas acontecer, de entender o que as faz funcionar, e de partilhar isso com os seus semelhantes, humanos naturais”, é a resposta mais óbvia.

Esta visão da educação levou-o a ser distinguido com o Prémio de Excelência Pedagógica, entregue no Dia da FEUP, celebrado no passado dia 13 de janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, um docente do DEI recebe esta distinção, afirmando a consistência e a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido no departamento.

Num contexto em que quem quer aprender pode, muitas vezes, fazê-lo de forma autónoma, Rui Rodrigues defende que o verdadeiro desafio do ensino é: ensinar a gostar de aprender.
“A indiferença hoje em dia é demasiado comum nos estudantes, pelo que interpreto este prémio mais como um reconhecimento dos vários esforços em combater essa indiferença, do que propriamente de um sucesso nesse desafio, que nunca está ganho. Nesse sentido, é um prémio certamente devido a muitos de nós (alguns até mais merecedores), que se esforçam continuamente por encontrar novas formas de fazer a mensagem não só chegar ao destinatário, mas ser interiorizada.”

Essa abordagem tem marcado de forma decisiva o percurso de muitos estudantes. Teresa Matos, orientanda de doutoramento e colega, recorda que foi nas aulas práticas de Computação Gráfica que encontrou a sua área de interesse: “Foi nas aulas práticas do Rui em Computação Gráfica que encontrei a minha área de interesse, e foi depois no Núcleo Estudantil de Computação Gráfica, com o seu apoio constante, que encontrei o meu caminho na FEUP.” Destaca ainda a dedicação incansável do docente, tanto aos estudantes como aos colegas, bem como a sua constante procura por inovação pedagógica. “Ver a sua dedicação incansável dia após dia incentiva-me a esforçar-me por ser uma melhor educadora e investigadora. Considero-o um verdadeiro exemplo de como se ser um excelente Professor.”

Também Pedro Silva, antigo estudante e orientando de mestrado, sublinha não apenas o rigor científico, mas a dimensão humana do docente. Ao longo do seu percurso académico, encontrou em Rui Rodrigues um professor sempre disponível para esclarecer dúvidas e partilhar conhecimento, mas foi durante a dissertação que reconheceu um acompanhamento particularmente marcante. “Foi um auxílio tremendo durante a escrita do documento, seja pelas sugestões acertadas quanto à sua estrutura e conteúdo, como também pelos conselhos que frisou ao longo do processo.” A calma, o humor e a empatia são traços que Pedro destaca como fundamentais para ultrapassar os momentos mais exigentes do percurso académico. “Não há muitos docentes, investigadores e seres humanos como o professor Rui, e espero que continue na FEUP durante muitos anos.

Para Rui Rodrigues, ensinar continua a ser, acima de tudo, um exercício profundamente humano. Num mundo cada vez mais automatizado, o papel do professor passa por mostrar que aprender não é apenas acumular respostas, mas desenvolver curiosidade, pensamento crítico e vontade de criar — para que os estudantes não fiquem apenas ligados à máquina, mas também uns aos outros.

A atribuição deste prémio, concedido ex aequo à Professora Beatriz Oliveira, do Departamento de Engenharia e Gestão Industrial (DEGI), reconhece não apenas o percurso individual do docente, mas também uma forma de estar no ensino que valoriza a pedagogia como espaço de descoberta, relação e construção de sentido.

Grupo Português de Computação Gráfica (CPCG) homenageia A. Augusto de Sousa

O Grupo Português de Computação Gráfica (GPCG), capítulo português da Eurographics, homenageou o Professor António Augusto de Sousa, docente do DEI, recentemente aposentado, no âmbito da International Conference on Graphics and Interaction (ICGI’25), que teve lugar nos dias 13 e 14 de novembro no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra.

A sessão contou com a presença de colegas e antigos estudantes que quiseram reconhecer o percurso e o contributo excecional do Professor nas áreas da Computação Gráfica e da Interação Pessoa-Computador, com especial destaque para o seu envolvimento como membro fundador do GPCG.

Reconhecido pelo seu forte compromisso com o ensino, bem como pelo apoio constante e entusiasmo demonstrado em múltiplas iniciativas académicas e estudantis, o Professor António Augusto de Sousa deixa um legado marcante. Esta homenagem veio sublinhar o seu papel de referência e o elevado prestígio que continua a merecer junto da comunidade portuguesa de Computação Gráfica e Interação.

No contexto desta homenagem, foi solicitada uma breve resenha histórica na qual o Professor revisita o momento fundacional do GPCG e reflete sobre o percurso e o trabalho desenvolvido ao longo dos seus 36 anos de existência:

“O GPCG – Grupo Português de Computação Gráfica foi formalmente registado em 1990, tendo-se constituído como National Chapter da associação internacional EUROGRAPHICS.
Em 1998, fui eleito para a direção do GPCG, assumindo funções como seu segundo presidente. Nesse período, dei início a um conjunto de eventos científicos que se mantêm, ainda hoje, com periodicidade anual, e promovi, em nome do grupo, a organização da conferência EUROGRAPHICS 1998, realizada em Lisboa.
Procurei criar as condições necessárias para a afirmação e divulgação do GPCG, incentivando igualmente a colaboração com outros grupos congéneres, em particular com Espanha. Essa cooperação constituiu o embrião para a realização, mais tarde, da série de conferências SIACG – Simpósio Ibero-Americano de Computação Gráfica.
Ao longo dos anos, desempenhei ainda diversos cargos nos órgãos de gestão do GPCG, nomeadamente os de Vice-Presidente (2000–2002 e 2013–2014), Tesoureiro (2014–2016) e Secretário da Assembleia Geral (2002–2008). Em 2015, conduzi o processo de digitalização das atas de todos os encontros organizados pelo grupo, que vieram posteriormente a ser indexadas na biblioteca digital da associação EUROGRAPHICS. Mais recentemente, reuni e organizei diversa documentação histórica, em particular relativa à formação do GPCG, tendo elaborado uma síntese da história do grupo que apresentei na conferência EPCGI 2024, em Vila Real.”

Dia da FEUP 2026 – 189 anos de história, pessoas e conhecimento

O Auditório José Marques dos Santos irá receber no dia 13 de janeiro, as comemorações do Dia da FEUP 2026,  com a apresentação da jornalista Carla Ascenção e palestra “Dar ao Pedal” por Jorge Sequeira.

Com o lema “Um dia de todos, para todos“, o programa inclui um conjunto alargado de atividades abertas à comunidade interna e externa, com o objetivo de reforçar a união da comunidade académica e celebrar as conquistas que consolidam o papel da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto como referência nacional e internacional.

A tarde será, uma vez mais, dedicada à homenagem aos membros da comunidade que mais se destacaram ao longo do último ano. Pelo segundo ano consecutivo, um docente do DEI é distinguido com o Prémio de Excelência Pedagógica, algo merecedor de destaque.

Os homenageados e premiados do DEI:

Prémio de Excelência Pedagógica 

Rui Pedro Amaral Rodrigues

Prémio de Reconhecimento Científico

João Pedro Carvalho Leal Mendes Moreira

Luís Paulo Gonçalves dos Reis

Prémio de Reconhecimento Pedagógico 

Alexandra Sofia Ferreira Mendes

André Monteiro de Oliveira Restivo

António Augusto de Sousa

Gonçalo da Mota Laranjeira Torres Leão

Nuno Filipe Gomes Cardoso

Nuno Honório Rodrigues Flores

Renato Borges Araujo Moura Soeiro

Menções de Desempenho Excelente

Marisa Isabel Magalhães Brandão Silva

Aposentados e Jubilados

António Augusto de Sousa

António Miguel Pontes Pimenta Monteiro

DEI Talks | “Great Opportunities for Brazil: Brazilian Microcontroller with RISC-V Architecture and Microelectronics Residency – IC Brazil Innovation Project” pelo Prof. João Baptista Martins

A palestra intitulada “Great Opportunities for Brazil: Brazilian Microcontroller with RISC-V Architecture and Microelectronics Residency – IC Brazil Innovation Project”, será apresentada pelo Prof. João Baptista Martins no dia 20 de janeiro, às 14:30, na sala B006, com a moderação do Prof. Rosaldo Rossetti (DEI).

Sobre a Palestra:

O objetivo desta palestra é apresentar os principais projetos que estão a ser desenvolvidos no Brasil na área da Microeletrónica. O primeiro trata da formação e desenvolvimento de recursos humanos, denominado Residência em Microeletrónica – IC Brasil Inovação, e o segundo trata do projeto, desenvolvimento e implementação de hardware e software de um microcontrolador de 32 bits com arquitetura RISC-V e comunicação BLE (BlueMacaw).

Sobre o Palestrante:

João Baptista dos Santos Martins é licenciado (1984) e mestre (1993) em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Maria/Brasil. É doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Brasil, com especialização em Microeletrónica (2001). Concluiu um pós-doutorado no Instituto de Engenharia e Sistemas Informáticos, Investigação em Lisboa (INESCID)/Portugal (2015). É líder do Grupo de Microeletrónica da UFSM e professor titular no Departamento de Eletrónica e Computação da UFSM. É Investigador de Desenvolvimento Tecnológico (DT) no CNPq. É coordenador geral da SMDH (Santa Maria Design House) e coordenador do Curso de Especialização em Microeletrónica da UFSM. Tem experiência e publicações nas áreas de Engenharia Elétrica e Computação, com ênfase em hardware, trabalhando principalmente nos seguintes tópicos: microeletrónica, FPGA, VHDL, Baixo Consumo de Energia, Microcontroladores e Projeto de Circuitos Integrados Tolerantes à Radiação.

Prémio Prof. Doutor Raul Vidal/Deloitte entregue a António Oliveira Ferreira

Integrada na Comemoração Novos Mestres 2025, ocorrida a 22 de novembro na Casa da Música, decorreu a entrega do *Prémio Prof. Doutor Raul Vidal/Deloitte, que vai já na sua 4ª edição desde a sua criação em 2022.

O Júri deste Prémio atribuiu a distinção a António Oliveira Ferreira, recém graduado do Mestrado em Engenharia Informática e Computação, premiado com um prémio pecuniário no valor de €3 000.

No âmbito da sua tese de mestrado, intitulada “Architectural design for the integration of Federated Learning Strategies: the NOUS Project use case”, e orientada pelo Prof. Ademar Aguiar (DEI), António desenvolveu uma arquitetura de software conceptual, composta por diversos componentes que se interrelacionam, que permite introduzir o input e supervisão humana em sistemas de Federated Learning (Machine Learning decentralizado), no sentido de evitar que a Inteligência Artificial tome 100% das decisões de um sistema.

Durante o seu percurso académico, participou em várias atividades e ações de carácter social e solidário, bem como em atividades dinamizadas pela JuniFEUP, a Júnior Empresa da FEUP, o que enriqueceu o seu percurso e contribuiu positivamente na avaliação da sua candidatura.

Sobre o reconhecimento, António partilha: “Foi com muita gratidão que recebi este prémio. Mais uma vez, muito obrigado à Deloitte por me ter escolhido, foi uma honra.

Recentemente integrou o Programa Geração Caixa, programa de trainees da Caixa Geral de Depósitos, onde durante um ano irá crescer pessoal e profissionalmente.

*Este prémio destina-se a agraciar anualmente um recém-graduado de um dos seguintes cursos da FEUP: Mestrado em Engenharia Informática e Computação (M.EIC) e Mestrado em Engenharia de Software (MESW), que se tenha distinguido em atividades curriculares, pela qualidade e inovação dos trabalhos realizados no âmbito da Engenharia de Software, e pelas atividades de apoio a estudantes e de caráter social e solidário.

Graduada do MECD vence o Master Thesis Award do Fraunhofer Portugal Challenge

Lara Sá Neves, graduada do Mestrado em Engenharia e Ciência de Dados (MECD) do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), venceu o 1.º prémio da categoria Master Thesis Award da 16.ª edição do Fraunhofer Portugal Challenge, com o projeto iHOMER, abordagem pioneira na área da inteligência artificial aplicada.

Desenvolvido no âmbito do mestrado, sob a orientação do Prof. Carlos Soares (DEI), o trabalho apresenta um algoritmo inovador capaz de aprender e reorganizar informação em tempo real, garantindo explicabilidade e precisão em ambientes dinâmicos.

Atualmente doutoranda no programa dual Carnegie Mellon University – Instituto Superior Técnico, Lara Sá Neves vê neste reconhecimento a excelência da formação e investigação desenvolvidas na FEUP.

A cerimónia de entrega dos prémios teve lugar a 5 de novembro, no auditório do Fraunhofer Portugal AICOS, no Porto. Na edição de 2025, a categoria Master Thesis Award distinguiu quatro projetos, com um prémio total de 8.000 euros, incluindo trabalhos de estudantes da Universidade de Aveiro e do Instituto Superior Técnico.

Organizado desde 2010, o Fraunhofer Portugal Challenge reconhece anualmente ideias tecnológicas de estudantes universitários nas áreas de Inteligência Artificial, Sistemas Ciber-Físicos e Design Centrado no Utilizador.

Mais sobre os projetos vencedores aqui.

Provas de Doutoramento em Engenharia Informática (ProDEI): ”Novel Computational Methodologies for Detailed Analysis of Human Motion from Image Sequences”

Candidato:
João Ferreira de Carvalho Castro Nunes

Data, Hora e Local:
12 de dezembro de 2025, às 14:00 na Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:
Doutor Pedro Nuno Ferreira da Rosa da Cruz Diniz, Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Vogais:
Doutor Carlos Miguel Fernandes Quental, Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa;
Doutor Hugo Pedro Martins Carriço Proença, Professor Catedrático do Departamento de Informática da Universidade da Beira Interior;
Doutor João Manuel Ribeiro da Silva Tavares, Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto (Orientador);
Doutor Luís Paulo Gonçalves dos Reis, Professor Associado com Agregação do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A tese foi coorientada pelo Doutor Pedro Miguel do Vale Moreira, Professor Catedrático do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Resumo:

A análise da marcha humana fornece informações essenciais sobre a função biomecânica, a avaliação clínica e o reconhecimento biométrico. No entanto, alcançar uma compreensão do movimento que seja precisa e reprodutível em condições reais continua a ser um desafio significativo. As técnicas tradicionais de captura de movimento dependem de infraestruturas dispendiosas e
de ambientes controlados, o que limita a sua escalabilidade e validade em contextos reais. Esta tese procura ultrapassar essas limitações através do desenvolvimento de metodologias computacionais que exploram simultaneamente informação RGB e de profundidade, de modo a permitir uma análise da marcha robusta, eficiente e totalmente automática, recorrendo a sensores de baixo custo. A investigação seguiu uma trajetória estruturada que integra a criação de um conjunto de dados, o desenho de novas representações e a inovação metodológica. Em primeiro lugar, foi realizada uma revisão e análise comparativa abrangente dos conjuntos de dados existentes baseados em visão e profundidade, identificando lacunas quanto à diversidade de modalidades, qualidade das anotações e acessibilidade. Para colmatar estas limitações, foi concebido, adquirido e disponibilizado publicamente o Gait Recognition Image and Depth Dataset (GRIDDS). O GRIDDS fornece dados sincronizados de RGB, profundidade, silhueta e esqueleto 3D de 35 participantes registados em condições controladas, constituindo um dos primeiros recursos multimodais normalizados para análise e reconhecimento da marcha. Com base neste fundamento, foram propostas duas novas representações computacionais da marcha que combinam informação bidimensional de aparência com estrutura esquelética tridimensional, aumentando a robustez face a variações de ponto de vista, vestuário e objetos transportados. Estas variantes da Gait Skeleton Image (GSI), baseadas em articulações e em segmentos lineares, foram integradas em arquiteturas de aprendizagem profunda e avaliadas extensivamente, demonstrando um desempenho competitivo, e algumas circunstâncias, por vezes superior, em comparação com métodos baseados em aparência, através de múltiplos conjuntos de dados e condições de variabilidade. Por fim, foram introduzidos novos métodos de interpolação de silhuetas de marcha, que combinam raciocínio geométrico determinístico (BRIEF) com aprendizagem profunda bidirecional (BiSINet), permitindo reconstruir frames em falta e melhorar a coerência temporal. As técnicas de interpolação propostas evidenciaram melhorias significativas na precisão do reconhecimento e forte capacidade de generalização entre diferentes conjuntos de dados e taxas de amostragem. Em conjunto, as contribuições deste trabalho, que abrangem a aquisição multimodal de dados, o desenvolvimento de representações robustas da marcha e a reconstrucção temporal, avançam as fronteiras científicas e tecnológicas da análise da marcha humana, promovendo a reprodutibilidade, acessibilidade e aplicabilidade tanto nos domínios clínico como na visão por computador.

DEI Talks | “A Journey Through Cybersecurity: Research on IDPS for NC enabled systems and Real-World Automotive Security Challenges” por Reza ParsaMehr

A palestra “A Journey Through Cybersecurity: Research on IDPS for NC enabled systems and Real-World Automotive Security Challenges” será apresentada pelo Dr. Reza ParsaMehr, no dia 17 de dezembro, às 17:00, na sala B021.

Resumo:

“My journey in cybersecurity began in the classroom. For more than five years, I served as a university lecturer and faculty member in Iran, teaching and supervising students in computer networks, network security, and secure system design. My path then moved into advanced research, where I contributed to the EU Horizon 2020 SECRET project funded under Horizon Europe’s Marie Skłodowska-Curie Actions programme. I developed some intrusion detection and prevention mechanisms for network coding–enabled 5G mobile small cells.
Transitioning to industry introduced a new reality, where cybersecurity directly affects safety, regulation, and large-scale engineering. Today, as Security and Privacy Team Leader at Aumovio Engineering Solution, I work as a security and privacy specialist and oversee blue-team, penetration testing, and cybersecurity maintenance across automotive platforms while ensuring compliance with ISO/SAE 21434, UNECE R155/R156.
In this keynote, I’ll introduce my research on intrusion detection and prevention mechanisms for network-coding–enabled systems, followed by an overview of real automotive cybersecurity challenges and potential solutions.”

Sobre o Palestrante:

Dr. Reza ParsaMehr é especialista em cibersegurança com experiência como docente universitário, investigador e líder em segurança industrial. É doutorado em Segurança em Telecomunicações e atualmente lidera o Departamento de Segurança e Privacidade da Aumovio Engineering Solutions, com foco em cibersegurança automóvel, design de arquitetura segura e conformidade regulamentar.