DEI Talks | “O Turing Award de 2025: Partilha de chaves secretas usando mecânica quântica” pelo Prof. Sagar Pratapsi (DEI/FEUP)

A palestra intitulada “O Turing Award de 2025: Partilha de chaves secretas usando mecânica quântica” será apresentada no dia 27 de maio, às 14:30, na sala B009.

Sobre a Palestra:

O Turing Award de 2026 foi atribiuído este ano a Charles H. Bennet e Gilles Brassard, pelo seu trabalho em criptografia quântica. No seu artigo de 1984, introduziram o famoso Protocolo BB84, onde mostraram como duas pessoas podem partilhar uma chave criptográfica secreta. A segurança deste protocolo é garantida pelas próprias leis da física quântica.
Nesta palestra, o Orador explicará este protocolo e o seu significado. Não são necessários conhecimentos profundos de mecânica quântica.

Sobre o Orador:

Sagar Silva Pratapsi é Professor Auxiliar do Departamento de Engenharia Informática da FEUP. É investigador em computação e informação quântica, com um foco em princípios fundamentais da mecânica quântica, controlo de sistemas quânticos, e alguns algoritmos.
Doutorou-se pelo Instituto Superior Técnico em 2024 e foi Professor Auxiliar Convidado na Universidade de Coimbra até 2026, onde leccionou sobre computação e informação quânticas. Foi também estudante investigador convidado na Universidade de Califórnia, Berkeley em 2024, financiado pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e estudante visitante da Universade de Maryland em Baltimore em 2023, no âmbito de uma bolsa de doutoramento financiada pela Fundação “la Caixa”. Antes do doutoramento, trabalhou como Research Analyst no Banco Central Europeu. Teve também outros reconhecimentos, como bolseiro do programa Novos Talentos da Matemática, da Fundação Calouste Gulbenkian, e é medalhado das Olimpíadas Internacionais da Física.

DEI Talks | “Developing high-risk AI systems for mental health applications” pelo Prof. Lars Bongo (UiT The Arctic University of Norway)

A palestra intitulada “Developing high-risk AI systems for mental health applications” será apresentada no dia 21 de maio, às 14:30, na sala I-105, com a moderação do Prof. António Coelho (DEI).

Sobre a palestra:

“In the TRUSTING project, we are developing a speech-based tool to predict relapse in psychosis. The tool is being designed for six languages and will be evaluated in a clinical trial. While large language models offer promising opportunities for cognitive testing, their use in high-risk AI systems raises significant challenges. These include ensuring safety, trustworthiness, and compliance with emerging AI regulations. In this talk, I will present the key challenges we encounter in data collection, infrastructure development, and cognitive test design, and reflect on the added complexity of developing high-risk AI systems across multiple languages. Finally, I will present our design principles and lessons learned.”

Sobre o Orador:

Dr. Lars Ailo Bongo é atualmente Professor de tecnologia da saúde no Departamento de Ciência da Computação da UiT – The Arctic University of Norway. O seu principal interesse de investigação consiste em criar e avaliar experimentalmente sistemas de infraestrutura que apoiem os métodos em desenvolvimento pelos colaboradores nas áreas da bioinformática e das ciências da saúde. É o investigador principal do Health Data Lab. Bongo também está empenhado na promoção de uma cultura de empreendedorismo na UiT. É cofundador da Medsensio AS, coordenador de inovação na SFI Visual Intelligence e cofundador do Laboratório de Inovação em Tecnologia Digital da UiT. Bongo ocupa um cargo de professor adjunto na Universidade de Ciências Aplicadas de Sámi, onde cofundou recentemente o Sámi AI Lab, que visa utilizar a IA para melhorar a sociedade Sámi.

DEI Talks | “Hybrid neural systems: neuromorphic computing for real-time control of brain activity” por Paulo Aguiar (i3S-U.Porto)

A palestra intitulada “Hybrid neural systems: neuromorphic computing for real-time control of brain activity“, será apresentada no dia 15 de junho, pelas 14:00, na sala I-105. A moderação ficará a cargo de Henrique Lopes Cardoso (DEI).

Sobre a Palestra:

“The brain is a powerful model for fast, adaptive and energy-efficient information processing. Translating these principles into computing systems is a major challenge with direct relevance for the next generation of intelligent neural interfaces. In this talk I will present work from my research group where we developed a hybrid neural system combining biological neurons with neuromorphic hardware, where artificial spiking neurons process ongoing brain activity in real time. By converting biological signals into spike-based representations, we trained spiking neural networks (SNNs) to identify short-lived electrophysiological patterns and deployed them on neuromorphic hardware. This system was integrated with open-source electrophysiology tools to create a closed-loop pipeline capable of detecting ongoing brain states and triggering targeted stimulation with low latency. Using this approach, we show that hybrid systems linking artificial and biological neurons can support real-time interaction with living neural circuits. These results provide a proof-of-concept for accessible neuromorphic neural interfaces and open new possibilities for adaptive, low-power and biologically inspired computing technologies.”

Sobre o Orador:

Paulo Aguiar é licenciado em Física (Universidade de Lisboa, PT) e doutorado em Neurociência Computacional pelo Instituto de Computação Adaptativa e Neural (Universidade de Edimburgo, Reino Unido). Desde 2016, dirige o Laboratório de Neuroengenharia e Neurociência Computacional (i3S-UPorto, PT). O seu grupo adota uma abordagem ascendente, centrando-se na compreensão de como os circuitos neurais processam e armazenam informação. A equipa combina conhecimentos especializados em neurobiologia, métodos analíticos avançados e modelos computacionais, para revelar e reparar a função neural. Já foi (co)investigador principal/líder de tarefa em mais de 20 projetos de investigação nacionais e internacionais obtidos através de concursos.

XXIII Jornadas de Ciência da Informação decorrem a 19 de maio na FLUP

No próximo dia 19 de maio, realizam-se as XXIII Jornadas de Ciência da Informação, subordinadas ao tema “Ciência da Informação: Inovação e Transformação Societal”, no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), entre as 09:00 e as 17:00.

A edição deste ano propõe uma reflexão centrada no papel da Ciência da Informação na inovação e na transformação da sociedade, através de um programa diversificado que inclui comunicações, mesas de debate e momentos de partilha científica e profissional.

Trata-se de um evento de carácter anual, organizado no âmbito do curso de Ciência da Informação, que se afirma como um espaço privilegiado de reflexão, partilha e debate sobre temas atuais e relevantes nesta área do conhecimento. Ao longo das suas edições, as Jornadas têm promovido o diálogo em torno das tendências, desafios e oportunidades que marcam a evolução da Ciência da Informação, reunindo estudantes, docentes, investigadores e profissionais.

A participação é gratuita, embora sujeita a inscrição obrigatória, que deverá ser efetuada no seguinte formulário: https://shorturl.at/rdEXV 

O programa detalhado do evento encontra-se disponível em: https://www.linkedin.com/in/jornadascienciainformacao/

DEI Talks | “nanoML: Pushing the Limits of Edge AI with Weightless Neural Networks” pela Prof. Lizy John (UT Austin)

A palestra intitulada “nanoML: Pushing the Limits of Edge AI with Weightless Neural Networks“, será apresentada pela Prof. Lizy Kurian John (University of Texas at Austin) no dia 6 de maio, às 14:30, na sala I-105. A sessão será moderada pelo Prof. Pedro Diniz (DEI).

Sobre a Palestra:

“Mainstream artificial neural network models, such as Deep Neural Networks (DNNs) are computation-heavy and energy-hungry. Weightless Neural Networks (WNNs) are natively built with RAM-based neurons and represent an entirely distinct type of neural network computing compared to DNNs. WNNs are extremely low-latency, low-energy, and suitable for efficient, accurate, edge inference. The WNN approach derives an implicit inspiration from the decoding process observed in the dendritic trees of biological neurons, making neurons based on Random Access Memories (RAMs) and/or Lookup Tables (LUTs) ready-to-deploy neuromorphic digital circuits. WNNs are a natural fit for edge AI due to the low area, energy and latency properties offered by them. This talk will describe the state of the art of Weightless Neural Networks, and their applications for edge inferencing.”

Sobre a Oradora:

Lizy Kurian John is Truchard Foundation Chair in Engineering at the University of Texas at Austin. Her research interests include workload characterization, performance evaluation, and high performance architectures for emerging workloads. She is recipient of many awards including Joe J. King Professional Engineering Achievement Award (2023), and The Pennsylvania State University Outstanding Engineering Alumnus Award (2011). She has authored 3 books and has edited 4 books including a book on Computer Performance Evaluation and Benchmarking. She holds 18 US patents and is an IEEE Fellow (Class of 2009), ACM Fellow, AAAS Fellow and Fellow of the National Academy of Inventors (NAI).”

Agradecimentos: Lizy K. John é atualmente especialista Fulbright. A sua investigação é financiada, em parte, pelas bolsas n.º 2326894 e n.º 2425655 da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), pela Semiconductor Research Corporation (SRC) task 3148.001 e pela bolsa do Programa de Aceleração de Investigação Aplicada da NVIDIA.

Docentes do DEI/FEUP lideram projeto de Inteligência Artificial ao serviço do FC Porto

Por Nuno Teixeira, SICC/FEUP

“O Futebol Clube do Porto (FC Porto) e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) formalizam uma parceria estratégica de Investigação e Desenvolvimento que ambiciona redesenhar o futuro dos dados no Clube. O projeto, desenvolvido em colaboração direta com a FEUP e com a participação da DareData, assume-se como um pilar central do Plano Estratégico do FC Porto e, em particular, do Programa de Transformação Digital da organização.

As duas instituições envolvidas, o FC Porto, referência desportiva internacional, e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, uma das mais prestigiadas escolas de engenharia do país e reconhecida internacionalmente pela excelência em áreas como Engenharia Informática, Sistemas Inteligentes e Ciência de Dados, reforçam assim uma relação histórica. Esta colaboração junta o clube português com maior palmarés à primeira instituição de ensino em engenharia em Portugal, posicionada entre as mais reputadas da Europa no ensino e investigação tecnológica.

Esta colaboração conta com os professores André Restivo e Sérgio Nunes, docentes do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FEUP, que assumem a coordenação técnica e científica do projeto, com o objetivo primordial de dotar o FC Porto de uma arquitetura tecnológica robusta e escalável, capaz de sustentar soluções avançadas de Inteligência Artificial. O projeto permitirá ao clube otimizar áreas críticas, como a performance desportiva, o scouting e a gestão de negócio, fundamentando a tomada de decisão na análise de grandes volumes de dados.

Para André Restivo, esta colaboração permite “aplicar metodologias de engenharia de software e de sistemas de informação num cenário real e exigente. Além disso, é um passo natural que duas das maiores instituições da cidade trabalhem em conjunto, aproximando a investigação académica da realidade prática do clube”.

Esta parceria vem juntar-se a outros projetos que estabelecem pontes entre o Clube e a academia, como o protocolo de cooperação técnico-científico com a Faculdade de Desporto (FADEUP), reforçando uma dinâmica conjunta com ambição e impacto global.

Um novo ecossistema de dados

O objetivo é claro: consolidar as fundações tecnológicas da organização, desenhar um novo ecossistema de dados quer no plano desportivo, quer no plano corporativo e elevar o FC Porto para um novo patamar de excelência que sustente a afirmação do Clube como uma organização data-driven de referência internacional.

Sob a orientação dos investigadores da FEUP, está em curso o desenho de uma nova arquitetura tecnológica, ágil, modular e escalável, preparada para o futuro. Com fundações de dados sólidas, o FC Porto poderá alavancar o uso de Inteligência Artificial em áreas como a Performance Desportiva, o Scouting, a Saúde ou a personalização da relação com sócios e adeptos, no sentido de aproximar ainda mais a comunidade de portistas.

Talento e cultura organizacional

O projeto contempla também o desenho do modelo de governo e políticas de dados, estabelecendo novas competências e funções críticas para implementar e fazer evoluir esta estratégia. O propósito é criar uma cultura organizacional onde os dados são um ativo estratégico vital, agregando valor e juntando ao FC Porto profissionais de elite, juntando alumni, docentes e estudantes da Universidade do Porto ao FC Porto e a novos parceiros.

O futuro no horizonte

Para lá do horizonte imediato, perspetiva-se o desenvolvimento conjunto de trabalhos académicos no contexto de programas de ciclos de estudos avançados e estágios, promovendo a transferência contínua de conhecimento e aproximando ainda mais a academia e o Clube.

O futuro passa igualmente por estender esta colaboração a outras áreas do conhecimento, permitindo criar um polo de inovação multidisciplinar único no panorama desportivo internacional. A sustentabilidade desta visão assenta no investimento contínuo no capital humano. Nesse sentido, o FC Porto reforçará as suas equipas integrando perfis tecnológicos e de gestão que partilhem desta cultura de rigor e excelência, num cruzamento virtuoso entre a paixão e o conhecimento.”

DEI Talks | “When AI meets Performance Engineering: Challenges and Opportunities” pela Prof. Lizy John (UT Austin)

A palestra intitulada “When AI meets Performance Engineering: Challenges and Opportunities“, será apresentada pela Prof. Lizy Kurian John (University of Texas at Austin), no dia 29 de abril, às 14:30, na sala L119 (DEMec). A sessão será moderada pelo Prof. Pedro Diniz (DEI).

Sobre a palestra:

“Artificial Intelligence/Machine Learning (AI/ML) has transformed hardware design, software systems, and system architectures. Emerging hardware for AI accelerators have become heterogeneous and complex, that traditional modeling methodologies, benchmarks, and metrics for prior systems may not work for assessing AI models and AI hardware. The single-most commonly used operation in AI is matrix multiplication. Hardware accelerators like GPUs have created Tensor Cores to support matrix multiplication. Google TPUs support matrix multiplication by the hardware systolic arrays. However, matrix multiplication cannot be a reliable benchmark for benchmarking, due to its high sensitivity to optimizations. The MLPerf consortium creates ML benchmarks, however those benchmarks are prohibitively difficult to manage for many small companies and academic researchers. What are good benchmarks for AI/ML? How can you evaluate AI hardware in pre-silicon and post-silicon stages? Complete system simulation was a popular mode of pre-silicon evaluation but prohibitively expensive. This talk will describe some of the opportunities and challenges when AI meets Performance Engineering.”

Sobre a Oradora:

Lizy Kurian John is Truchard Foundation Chair in Engineering at the University of Texas at Austin. Her research interests include workload characterization, performance evaluation, and high performance architectures for emerging workloads. She is recipient of many awards including Joe J. King Professional Engineering Achievement Award (2023), and The Pennsylvania State University Outstanding Engineering Alumnus Award (2011). She has authored 3 books and has edited 4 books including a book on Computer Performance Evaluation and Benchmarking. She holds 18 US patents and is an IEEE Fellow (Class of 2009), ACM Fellow, AAAS Fellow and Fellow of the National Academy of Inventors (NAI).”

Agradecimentos: Lizy K. John é atualmente especialista Fulbright. A sua investigação é financiada, em parte, pelas bolsas n.º 2326894 e n.º 2425655 da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos (NSF), pela Semiconductor Research Corporation (SRC) task 3148.001 e pela bolsa do Programa de Aceleração de Investigação Aplicada da NVIDIA.

Novos Doutores homenageados na Conferment Ceremony 2026

O Auditório José Carlos Marques dos Santos, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), acolheu no passado dia 16 de abril de 2026, pelas 17h00, mais uma edição da Conferment Ceremony – Doctoral Awards & Career Award, cerimónia que distingue oficialmente os doutorados que concluíram o respetivo grau e defenderam a sua tese no ano letivo anterior.

Esta sessão solene constitui a mais alta distinção académica atribuída pela FEUP e teve início com a tradicional entrada do cortejo académico, seguindo‑se a alocução de abertura pelo Diretor da FEUP, Prof. Doutor Rui Calçada.

Durante a cerimónia, foram homenageados os Novos Doutorados 2026, bem como entregues os Prémios Institucionais. Teve igualmente lugar a Nomeação do Prémio Carreira 2025, atribuído ao Eng.º Jorge Vasconcelos, membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, seguindo‑se o discurso do homenageado, um dos momentos altos da cerimónia.

O programa integrou ainda um momento musical, bem como as tradicionais homenagens aos Doutorados FEUP que completaram 25 e 50 anos de curso e aos docentes que obtiveram o título de Agregado. No âmbito das homenagens aos 25 anos de curso, foi distinguido o docente do DEI Jorge Manuel Gomes Barbosa.

A sessão terminou com a alocução final pelo Vice‑Reitor da Universidade do Porto, Prof. Doutor Pedro Costa, com o pelouro do Património Edificado e Sustentabilidade, seguida da saída do cortejo académico e de um Porto d’Honra oferecido pela FEUP.

Doutorados homenageados ligados ao DEI

Programa Doutoral em Engenharia Informática

Bernardo José Coelho Leite
Eliseu Moura Pereira
Filipa Marília Monteiro Ramos Ferreira
Gabriel de Jesus
João Ferreira de Carvalho Castro Nunes
José Eduardo Ferreira Ribeiro
Lázaro Gabriel Barros da Costa
Leonardo da Silva Ferreira
Martin Joseph Aubard
Pedro Rodrigo Caetano Strecht Ribeiro
Sara Filipa Couto Fernandes
Tiago Filipe Mendes Neves

Programa Doutoral em Media Digitais

Adriana Aguiar Aparício Fogel
Alexandre Resende Clément (Cum Laude)
Diogo Miguel Filipe Cocharro
Haline Costa Maia
Inês Dias Koch
Joana Machado Cerejo de Araújo
João Pedro Silva Ribeiro (Cum Laude)
Pedro Miguel Sá Couto Condeço Ribeiro

Programa Doutoral em Informática (Curso conjunto entre a U.Porto, UA e UM)

Ehsan Aminian

Andrés Isaza conquista bolsa de doutoramento INPhINIT da Fundação “la Caixa”

Andrés Isaza Giraldo, doutorando do Programa Doutoral em Media Digitais (PDMD) da Universidade do Porto, é um dos vencedores de uma bolsa INPhINIT Retaining da Fundação “la Caixa”, uma das mais prestigiadas distinções para jovens investigadores na Península Ibérica.

O projeto premiado, intitulado “Estudos Geológicos das Imagens-em-movimento Amazônicas: Análise Estratigráfica dos Mídia para a Cocriação de Arquivos Audiovisuais Ficcionais“, propõe uma abordagem inovadora ao estudo da história do cinema amazónico, importando ferramentas analíticas da geologia, nomeadamente a estratigrafia, para interpretar a evolução das imagens em movimento como camadas sedimentadas no tempo.

Andrés Isaza é cineasta e artista audiovisual colombiano, nascido em Manizales e radicado em Portugal desde 2021. Licenciado em Cinema e Televisão pela Universidad Nacional da Colômbia e mestre em Arte Multimédia pela Universidade de Lisboa, desenvolve agora o seu doutoramento no âmbito do PDMD. A sua investigação é acolhida pelo i2ADS — Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas-Artes da U.Porto, sob a orientação do Professor Miguel Carvalhais.

Um sedimento feito de Luz

A investigação parte de uma metáfora geológica: assim como os estratos de solo preservam milénios de história ambiental, também a história do cinema pode ser “lida” em camadas — uma técnica que Isaza designa de cinema cubes ou sedimentos de luz. Aplicada ao cinema amazónico, esta metodologia permite analisar a transformação das representações audiovisuais da Amazónia no começo do cinema nesse território, um período marcado por miradas exógenas com interesses comerciais, políticos, científicos e religiosos; daí a necessidade de estudar este período de uma outra maneira. Mas a pesquisa vai mais longe: visa também usar inteligência artificial generativa para co-criar, em parceria com indivíduos no território Amazónico, novos arquivos audiovisuais ficcionais que irrompam a história linear do cinema, da mesma forma que o magma irrompe pelas camadas sedimentares.
O projeto cruza estudos de cinema, análise cultural computacional, antropologia visual, design participativo e ética da IA — questionando quem tem acesso às novas tecnologias e como estas podem ser utilizadas de forma justa em territórios historicamente marginalizados preservando as próprias tradições ontológicas.

A bolsa INPhINIT Retaining da Fundação “la Caixa” tem uma duração máxima de quatro anos e financia os custos laborais, de investigação e propinas do programa doutoral, apoiando investigadores que desenvolvam o seu projeto em qualquer área científica em Portugal ou Espanha.

Da FEUP para o mundo: Cláudio Fischer Lemos na linha da frente da cibersegurança global

Por Joana Guedes Pinto, SICC, FEUP

A TensorOps, empresa portuguesa de serviços de inteligência artificial fundada em 2023, por Cláudio Lemos (que concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação na FEUP em 2021), anunciou recentemente uma colaboração estratégica com a Armis (adquirida no final de dezembro pela ServiceNow), uma das principais referências globais em cibersegurança. No centro desta parceria está o desenvolvimento de uma nova geração de agentes autónomos capazes de operar em ambientes empresariais complexos e responder, em tempo real, a ameaças cada vez mais sofisticadas.

A colaboração surge num momento particularmente relevante para o setor. Com a crescente utilização de inteligência artificial por agentes maliciosos, os sistemas tradicionais de defesa enfrentam limitações evidentes. A iniciativa conjunta entre a TensorOps e a Armis pretende precisamente responder a este desafio estrutural, reduzindo a distância entre deteção e ação.

“Estamos a assistir a uma mudança radical: os ciberataques já não são executados apenas por hackers humanos, mas por agentes de IA ofensivos utilizados por organizações criminosas e estatais, explica Cláudio Lemos, CEO da TensorOps.”

Um projeto português com impacto global

Apesar de jovem, a TensorOps nasceu com uma ambição clara: construir tecnologia de vanguarda a partir de Portugal. A empresa começou a ser desenhada em 2022, fruto da parceria entre Cláudio Lemos e Gad Benram, e rapidamente adotou um posicionamento orientado para mercados internacionais.

“Desde o primeiro dia, a nossa visão foi muito clara e distinta: queríamos criar um modelo de negócio orientado para a exportação de talento nacional e de serviços de excelência.”

Hoje, essa estratégia traduz-se numa realidade concreta: a grande maioria dos clientes da empresa é internacional, incluindo algumas das maiores organizações tecnológicas do mundo. “A nossa equipa trabalha com 95% de clientes internacionais, trazendo receitas de alto valor para a economia portuguesa.” Este modelo não só valida a competitividade do talento nacional, como reforça o papel de Portugal como fornecedor de engenharia altamente especializada.

A ligação à Armis surgiu de forma orgânica, impulsionada pela reputação técnica e pela rede de contactos da equipa da TensorOps no ecossistema global de cibersegurança. “Tudo começou com uma abordagem direta, baseada na nossa reputação e network.”

“Percebemos imediatamente que era um projeto altamente estratégico porque a Armis (recentemente adquirida pela ServiceNow por 7,75 mil milhões de dólares) opera na vanguarda absoluta do setor, e o desafio propunha criar algo que simplesmente ainda não existe no mercado para as empresas, afirma Cláudio.”

Construir um “exército” de agentes autónomos

No âmbito desta colaboração, a TensorOps está a desenvolver um sistema inovador baseado em múltiplos agentes de inteligência artificial capazes de atuar de forma coordenada. “Estamos a construir um ‘mini exército’ de agentes de IA defensivos e a integrá-los no ambiente proprietário da Armis.”

Ao contrário das soluções tradicionais, baseadas em regras fixas ou modelos reativos, estes agentes introduzem um novo nível de autonomia. “Os Agentes de IA que estamos a desenvolver são proativos e adaptáveis. Eles conseguem avaliar o contexto de uma ameaça em tempo real, raciocinar sobre a melhor estratégia de mitigação e executar ações de forma autónoma.”

Esta abordagem permite responder à velocidade e sofisticação dos ataques modernos, onde a intervenção humana isolada já não é suficiente. O desenvolvimento destes sistemas coloca desafios técnicos significativos, particularmente ao nível da coordenação entre agentes. “Garantir que múltiplos agentes de IA comunicam entre si, partilham contexto de ameaças em tempo real e executam táticas de defesa coordenadas, é um desafio de arquitetura de software e inteligência artificial formidável, explica o CEO da TensorOps.”

Para além da complexidade algorítmica, estes sistemas têm de operar em infraestruturas críticas sem comprometer a continuidade dos serviços, elevando ainda mais o grau de exigência. Para Cláudio Lemos, o impacto desta tecnologia será transversal a todas as áreas das organizações.

A integração de agentes autónomos será tão fundamental para as empresas na próxima década como a transição para a cloud foi na década passada.
Este novo paradigma implicará uma transformação profunda na forma como o trabalho é distribuído entre humanos e máquinas. “As equipas humanas deixarão de estar focadas na execução de tarefas repetitivas, passando a assumir papéis de supervisão, governança e estratégia.”

Portugal como hub de engenharia de IA

A trajetória da TensorOps ilustra também o potencial do ecossistema tecnológico nacional, particularmente na área da inteligência artificial. “Significa provar que o talento nacional está ao nível do melhor que se faz em Silicon Valley, Londres, ou Tel Aviv.”

Para o CEO da TensorOps, o futuro passa por reforçar a aposta em inovação e exportação de conhecimento: “se continuarmos a focar as nossas empresas na exportação de inovação e não apenas na venda de horas de outsourcing barato, temos todas as condições geográficas, económicas e intelectuais para sermos um dos principais motores de Inteligência Artificial na Europa.”

Ainda com os olhos postos no futuro, Cláudio não hesita em destacar o papel determinante da formação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, para uma boa parte do sucesso hoje alcançado:

“Mais do que linguagens de programação específicas, sinto que a FEUP me ensinou a pensar de forma estruturada, a decompor problemas altamente complexos. Esse mindset de engenheiro é algo que uso no meu dia a dia.”