Um docente e quatro estudantes do Departamento de Engenharia Informática (DEI) participaram no desenvolvimento do AMALIA, o mais recente e maior modelo de linguagem de grande escala concebido especificamente para a língua e a cultura portuguesas, apresentado publicamente no passado dia 1 de julho.
A equipa do DEI integrou Sérgio Nunes, Professor Associado e investigador do INESC TEC, Luís Relvas e José Isidro, estudantes do Mestrado em Engenharia Informática e Computação (M.EIC), Rodrigo Batista, estudante do Mestrado em Inteligência Artificial (M.IA), e José Evans, estudante do Mestrado em Engenharia e Ciência de Dados (MECD). A participação decorreu no âmbito do contributo da Universidade do Porto para o domínio dos Media, que reuniu elementos da FCUP, FEUP e FLUP, em colaboração com o INESC TEC e a Universidade da Beira Interior.
O AMALIA é um modelo de linguagem construído de raiz para a realidade linguística e cultural portuguesa, desenvolvido ao longo de 18 meses com um investimento de 5,5 milhões de euros. Ao contrário de assistentes generalistas como o ChatGPT, o AMALIA foi pensado como um modelo base de código aberto (disponível nas plataformas HuggingFace e GitHub), destinado a alimentar aplicações específicas construídas sobre bases de dados próprias, e não para uso direto pelo público em geral. Sendo disponibilizado publicamente, com um model card associado (contendo informação sobre as características do modelo e os dados em que foi treinado), toda a comunidade poderá usufruir e contribuir para melhorar o modelo no futuro.
O projeto contribui para a visão e a ambição de Portugal para a Inteligência Artificial (IA), ao responder de forma direta aos seguintes objetivos:
Promoção da língua portuguesa,
Permitindo que empresas nacionais, administração pública e demais entidades se expressem corretamente em português europeu.
Preservar a representatividade cultural de Portugal,
Capturando e preservando provérbios, expressões idiomáticas, referências culturais e conhecimento sobre personalidades e monumentos nacionais.
Soberania sobre os dados dos cidadãos,
Possibilitando aplicar os mais recentes avanços em IA a domínios como a administração pública, garantindo que dados confidenciais não saiam de território nacional.
Promoção da investigação e inovação em IA,
Estimulando a criação de um ecossistema de I&D colaborativo com vários centros de investigação e contribuindo para avançar o conhecimento nacional na fronteira da IA.
Está previsto que o AMALIA sirva de suporte a várias aplicações da administração pública. O portal gov.pt será um dos seus primeiros casos de uso. Estão ainda previstas aplicações nas áreas da educação, cultura, museus, media e ciência. Embora seja possível do ponto de vista da engenharia criar uma aplicação generalista do tipo chatbot, desenvolver uma aplicação concorrente dos chatbots generalistas disponíveis comercialmente não é objetivo do projeto AMALIA.
Serão muitas as dúvidas mas a boa notícia é que podem ser respondidas nesta página.







