Entre os dias 25 e 28 de outubro realizou-se a 28.ª edição da International ACM SIGACCESS Conference on Computers and Accessibility (ASSETS 2026), o principal fórum internacional dedicado à investigação em acessibilidade digital e tecnologias inclusivas para pessoas com deficiência e pessoas idosas. Desde 1994 que esta conferência reúne investigadores, docentes, estudantes e profissionais de todo o mundo para apresentar e discutir trabalhos científicos inovadores nas áreas da informática, acessibilidade e tecnologias de apoio. Este ano o encontro reuniu 343 participantes, dos quais 274 presencialmente, provenientes de 24 países.
A conferência teve início no domingo, 25, com Workshops e o Doctoral Consortium, seguindo-se três dias de sessões científicas, com apresentações de artigos em duas salas em paralelo. Esta edição introduziu uma novidade, o reconhecimento do impacto social dos trabalhos, com artigos nomeados nesta categoria, a par das menções honrosas.
A sessão de abertura, a 26 de outubro, coube a Jacob O. Wobbrock, professor da University of Washington, que apresentou a keynote “Twenty-Five Years, Five Projects, and Five Reflections on Accessible Computing”. Nome de referência da área, conhecido, entre outros contributos, pela abordagem do ability-based design, foi este ano distinguido com o ACM SIGACCESS Award for Outstanding Contributions to Computing and Accessibility.
O programa científico evidenciou a amplitude e a natureza multidisciplinar da investigação em acessibilidade. Houve sessões dedicadas a tecnologias de apoio criadas pelos próprios utilizadores, educação em computação, teoria crítica da deficiência, acessibilidade de visualizações de dados e de documentos, imagem, vídeo e audiodescrição, mobilidade e exercício físico, realidade virtual e estendida, co-design, música, arte e criatividade, acessibilidade no local de trabalho, saúde, envelhecimento e vida quotidiana. A neurodiversidade, nomeadamente a PHDA, a dislexia e o autismo, esteve igualmente presente.
A inteligência artificial teve um peso evidente, desde a geração de texto alternativo e a audiodescrição com modelos de linguagem até à interação de pessoas surdas com sistemas de IA e ao uso de assistentes de voz por pessoas idosas, numa sessão própria dedicada às experiências com IA. Vários relatos de experiência foram escritos na primeira pessoa, por investigadores que vivem com deficiência, dando voz a quem investiga a partir da experiência vivida.
Houve também contributos de investigadores ligados a instituições portuguesas, entre eles trabalhos assinados por Hugo Nicolau, Isabel Neto e Tiago Guerreiro, da Universidade de Lisboa, como o SL4Fun, um jogo colaborativo para crianças ouvintes e surdas ou com perda auditiva em contexto de sala de aula bilingue, e um estudo sobre expressão artística de pessoas com deficiência motora com apoio de um braço robótico guiado por realidade aumentada.
O programa incluiu ainda três sessões de posters e demonstrações, a Student Research Competition, dedicada a trabalhos de estudantes de licenciatura e pós-graduação, e a reunião anual da SIGACCESS, antes da cerimónia de encerramento, realizada a 28 de outubro.
A organização geral esteve a cargo de Stephanie Ludi (University of North Texas) e de Hugo Nicolau (Universidade de Lisboa), com Stacy Branham, Foad Hamidi, Mingming Fan e Jenny Waycott como Program Chairs. A organização local, no Porto, foi assegurada por Daniel Mendes e Letícia Seixas Pereira, docentes do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, como Local Arrangements Chairs. Teresa Matos, assistente convidada no DEI e doutoranda, integrou também a equipa como Student Volunteer Chair.
Os artigos aceites, bem como os resumos de posters e demonstrações, relatos de experiência e trabalhos da Student Research Competition, ficam arquivados na ACM Digital Library.









