Andrés Isaza conquista bolsa de doutoramento INPhINIT da Fundação “la Caixa”

Andrés Isaza Giraldo, doutorando do Programa Doutoral em Media Digitais (PDMD) da Universidade do Porto, é um dos vencedores de uma bolsa INPhINIT Retaining da Fundação “la Caixa”, uma das mais prestigiadas distinções para jovens investigadores na Península Ibérica.

O projeto premiado, intitulado “Estudos Geológicos das Imagens-em-movimento Amazônicas: Análise Estratigráfica dos Mídia para a Cocriação de Arquivos Audiovisuais Ficcionais“, propõe uma abordagem inovadora ao estudo da história do cinema amazónico, importando ferramentas analíticas da geologia, nomeadamente a estratigrafia, para interpretar a evolução das imagens em movimento como camadas sedimentadas no tempo.

Andrés Isaza é cineasta e artista audiovisual colombiano, nascido em Manizales e radicado em Portugal desde 2021. Licenciado em Cinema e Televisão pela Universidad Nacional da Colômbia e mestre em Arte Multimédia pela Universidade de Lisboa, desenvolve agora o seu doutoramento no âmbito do PDMD. A sua investigação é acolhida pelo i2ADS — Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas-Artes da U.Porto, sob a orientação do Professor Miguel Carvalhais.

Um sedimento feito de Luz

A investigação parte de uma metáfora geológica: assim como os estratos de solo preservam milénios de história ambiental, também a história do cinema pode ser “lida” em camadas — uma técnica que Isaza designa de cinema cubes ou sedimentos de luz. Aplicada ao cinema amazónico, esta metodologia permite analisar a transformação das representações audiovisuais da Amazónia no começo do cinema nesse território, um período marcado por miradas exógenas com interesses comerciais, políticos, científicos e religiosos; daí a necessidade de estudar este período de uma outra maneira. Mas a pesquisa vai mais longe: visa também usar inteligência artificial generativa para co-criar, em parceria com indivíduos no território Amazónico, novos arquivos audiovisuais ficcionais que irrompam a história linear do cinema, da mesma forma que o magma irrompe pelas camadas sedimentares.
O projeto cruza estudos de cinema, análise cultural computacional, antropologia visual, design participativo e ética da IA — questionando quem tem acesso às novas tecnologias e como estas podem ser utilizadas de forma justa em territórios historicamente marginalizados preservando as próprias tradições ontológicas.

A bolsa INPhINIT Retaining da Fundação “la Caixa” tem uma duração máxima de quatro anos e financia os custos laborais, de investigação e propinas do programa doutoral, apoiando investigadores que desenvolvam o seu projeto em qualquer área científica em Portugal ou Espanha.

Da FEUP para o mundo: Cláudio Fischer Lemos na linha da frente da cibersegurança global

Por Joana Guedes Pinto, SICC, FEUP

A TensorOps, empresa portuguesa de serviços de inteligência artificial fundada em 2023, por Cláudio Lemos (que concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação na FEUP em 2021), anunciou recentemente uma colaboração estratégica com a Armis (adquirida no final de dezembro pela ServiceNow), uma das principais referências globais em cibersegurança. No centro desta parceria está o desenvolvimento de uma nova geração de agentes autónomos capazes de operar em ambientes empresariais complexos e responder, em tempo real, a ameaças cada vez mais sofisticadas.

A colaboração surge num momento particularmente relevante para o setor. Com a crescente utilização de inteligência artificial por agentes maliciosos, os sistemas tradicionais de defesa enfrentam limitações evidentes. A iniciativa conjunta entre a TensorOps e a Armis pretende precisamente responder a este desafio estrutural, reduzindo a distância entre deteção e ação.

“Estamos a assistir a uma mudança radical: os ciberataques já não são executados apenas por hackers humanos, mas por agentes de IA ofensivos utilizados por organizações criminosas e estatais, explica Cláudio Lemos, CEO da TensorOps.”

Um projeto português com impacto global

Apesar de jovem, a TensorOps nasceu com uma ambição clara: construir tecnologia de vanguarda a partir de Portugal. A empresa começou a ser desenhada em 2022, fruto da parceria entre Cláudio Lemos e Gad Benram, e rapidamente adotou um posicionamento orientado para mercados internacionais.

“Desde o primeiro dia, a nossa visão foi muito clara e distinta: queríamos criar um modelo de negócio orientado para a exportação de talento nacional e de serviços de excelência.”

Hoje, essa estratégia traduz-se numa realidade concreta: a grande maioria dos clientes da empresa é internacional, incluindo algumas das maiores organizações tecnológicas do mundo. “A nossa equipa trabalha com 95% de clientes internacionais, trazendo receitas de alto valor para a economia portuguesa.” Este modelo não só valida a competitividade do talento nacional, como reforça o papel de Portugal como fornecedor de engenharia altamente especializada.

A ligação à Armis surgiu de forma orgânica, impulsionada pela reputação técnica e pela rede de contactos da equipa da TensorOps no ecossistema global de cibersegurança. “Tudo começou com uma abordagem direta, baseada na nossa reputação e network.”

“Percebemos imediatamente que era um projeto altamente estratégico porque a Armis (recentemente adquirida pela ServiceNow por 7,75 mil milhões de dólares) opera na vanguarda absoluta do setor, e o desafio propunha criar algo que simplesmente ainda não existe no mercado para as empresas, afirma Cláudio.”

Construir um “exército” de agentes autónomos

No âmbito desta colaboração, a TensorOps está a desenvolver um sistema inovador baseado em múltiplos agentes de inteligência artificial capazes de atuar de forma coordenada. “Estamos a construir um ‘mini exército’ de agentes de IA defensivos e a integrá-los no ambiente proprietário da Armis.”

Ao contrário das soluções tradicionais, baseadas em regras fixas ou modelos reativos, estes agentes introduzem um novo nível de autonomia. “Os Agentes de IA que estamos a desenvolver são proativos e adaptáveis. Eles conseguem avaliar o contexto de uma ameaça em tempo real, raciocinar sobre a melhor estratégia de mitigação e executar ações de forma autónoma.”

Esta abordagem permite responder à velocidade e sofisticação dos ataques modernos, onde a intervenção humana isolada já não é suficiente. O desenvolvimento destes sistemas coloca desafios técnicos significativos, particularmente ao nível da coordenação entre agentes. “Garantir que múltiplos agentes de IA comunicam entre si, partilham contexto de ameaças em tempo real e executam táticas de defesa coordenadas, é um desafio de arquitetura de software e inteligência artificial formidável, explica o CEO da TensorOps.”

Para além da complexidade algorítmica, estes sistemas têm de operar em infraestruturas críticas sem comprometer a continuidade dos serviços, elevando ainda mais o grau de exigência. Para Cláudio Lemos, o impacto desta tecnologia será transversal a todas as áreas das organizações.

A integração de agentes autónomos será tão fundamental para as empresas na próxima década como a transição para a cloud foi na década passada.
Este novo paradigma implicará uma transformação profunda na forma como o trabalho é distribuído entre humanos e máquinas. “As equipas humanas deixarão de estar focadas na execução de tarefas repetitivas, passando a assumir papéis de supervisão, governança e estratégia.”

Portugal como hub de engenharia de IA

A trajetória da TensorOps ilustra também o potencial do ecossistema tecnológico nacional, particularmente na área da inteligência artificial. “Significa provar que o talento nacional está ao nível do melhor que se faz em Silicon Valley, Londres, ou Tel Aviv.”

Para o CEO da TensorOps, o futuro passa por reforçar a aposta em inovação e exportação de conhecimento: “se continuarmos a focar as nossas empresas na exportação de inovação e não apenas na venda de horas de outsourcing barato, temos todas as condições geográficas, económicas e intelectuais para sermos um dos principais motores de Inteligência Artificial na Europa.”

Ainda com os olhos postos no futuro, Cláudio não hesita em destacar o papel determinante da formação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, para uma boa parte do sucesso hoje alcançado:

“Mais do que linguagens de programação específicas, sinto que a FEUP me ensinou a pensar de forma estruturada, a decompor problemas altamente complexos. Esse mindset de engenheiro é algo que uso no meu dia a dia.”

ADN DEI | Inês Cardoso: a paixão por videojogos que a levou à Google

Por Álvaro Paralta, SICC, FEUP

“É apaixonada por videojogos desde que se lembra. Gosta de ler, dá uns toques na guitarra, mas há uns anos que se tem dedicado inteiramente à Engenharia Informática, que estudou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Este foi o passaporte para Inês Cardoso, natural do Porto, se mudar para a Polónia, país a partir do qual conversou connosco e onde trabalha como engenheira de software na Google. Numa conversa prolongada, ligámos os dois pontos do globo para conhecer e explorar o seu percurso.

O despertar de uma vocação

Engenharia não foi sempre um caminho óbvio ou uma escolha imediata. Ainda que as áreas de que mais gostava indicassem uma certa tendência – Física, Química, Matemática -, escolher o curso a seguir foi um verdadeiro desafio. Principalmente num período em que o balanço entre dúvidas e certezas não é necessariamente equilibrado. “Estava confusa, mas a dado momento pensei que seguir engenharia informática poderia ser uma boa forma de conseguir fazer videojogos, de que sempre gostei imenso”, lembra.

Durante o secundário, que concluiu na Escola Secundária de Rio Tinto, visitou a FEUP em diversas circunstâncias, incluindo a Semana Profissão: Engenharia. E em todas elas a perceção que teve da faculdade foi a mesma: “é uma escola de gente grande”. Tão grande que foi nela que ingressou, em 2020. “Quando entrei, estávamos em pandemia e acho que isso tornou o meu primeiro ano mais desafiante: por um lado, as aulas eram dadas online, e, por outro, o surgimento de algumas dúvidas sobre se estaria no caminho certo ou não”, explica.

Apesar da ligeira incerteza nesta fase inicial, os próximos cinco anos foram passados naquela que viria a tornar-se a sua segunda casa. Pelo caminho, integrou o Núcleo de Estudantes de Informática da Associação de Estudantes da FEUP (NIAEFEUP) e colaborou na organização do Encontro Nacional de Estudantes de Informática (ENEI), que aconteceu entre os dias 11 e 14 de abril. “Estar no núcleo e organizar eventos deste tipo permite-nos estar em contacto com muitas pessoas, criar novos laços e abrir novas oportunidades – o que é especialmente importante nos primeiros anos de faculdade”.

Estagiou na JumpSeller e explorou uma área diferente – a escrita – no Jornal Universitário do Porto (JUP). Em 2023, ingressou no mestrado, onde percebeu em que área gostaria de se especializar. “Tive uma cadeira de visão por computador que me despertou interesse – aliava a inteligência artificial à imagem; e foi aí que pensei que poderia ser interessante trabalhar numa aplicação desta tecnologia à imagem médica”, recorda.

Em conversa com alguns membros do NIAEFEUP, indicaram-lhe um possível orientador com quem poderia falar para desenvolver um projeto de mestrado na área da imagem médica. E assim foi. “Agendámos uma reunião e ele achou interessante eu querer fazer a minha tese nesta área. Disse logo que podia ser meu orientador”, lembra. E assim foi. Estagiou ainda no INESCTEC e foi monitora no Departamento de Engenharia Informática da FEUP.

Erasmus e o “abrir horizontes”

Em 2024, viveu a sua primeira experiência de mobilidade, na Universidade de Zagreb, na Croácia. “Eu fiz dois Erasmus e tive experiências completamente diferentes. Na primeira, o propósito não foi tanto a parte académica propriamente dita, mas mais a possibilidade de viver sozinha, testar a minha independência. Foi esta experiência que me tirou o medo de ir viver para outro país – que é, de resto, a minha realidade atualmente”, explica Inês.

No ano a seguir, passou ainda pela Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, onde desenvolveu a sua dissertação na área de visão por computador. “Este período foi muito importante a nível académico, mas também para perceber uma outra forma de viver. Em Portugal, estamos habituados a ver as pessoas a acordar de manhã, irem trabalhar e regressarem exaustas no final do dia. Lá não. Faz-se tudo mais cedo, o trabalho também acaba mais cedo, e, no final do dia, todos ficam a conviver. Sentia que as pessoas viviam muito mais felizes e aprendi muito com isso”, recorda.

A passagem pelos dois países fê-la refletir sobre o que fazer após a conclusão do mestrado. Ponderou seguir doutoramento, mas o rumo foi outro. Potenciado pelas experiências de mobilidade – afinal, viver sozinha não é tão difícil quanto parecia inicialmente -, no último ano de mestrado candidatou-se a algumas gigantes tecnológicas, com a vontade de aprender o máximo possível e escalar possibilidades de carreira. E entrou na primeira opção da sua lista de prioridades.

O próximo passo foi na Google, na Polónia, onde se encontra atualmente. “O processo de entrevistas foi longo. Tivemos entrevistas que se basearam no desenho de sistemas, em que os conhecimentos da faculdade foram importantes; e entrevistas que consistiram em exercícios de programação competitiva. Aproveito para dizer que iniciativas como o CodeCamp@FEUP são muito importantes, porque já familiariza, desde cedo, os futuros estudantes a este tipo de dinâmicas”, partilha.

“Quando entramos no mercado de trabalho, há uma questão que vejo em muitas pessoas da minha idade: se nos devemos candidatar a uma empresa mais pequena, tipo startup, ou a uma empresa maior. Por um lado, penso que startups oferecem, muitas vezes, maior autonomia, a possibilidade de explorar diferentes caminhos e assumir mais responsabilidades. Por outro lado, as empresas maiores permitem trabalhar em soluções com impacto a uma escala muito maior. Na altura, senti que iniciar o meu percurso numa empresa grande seria uma oportunidade valiosa para aprender com equipas experientes e compreender como se constroem soluções que chegam a milhões de utilizadores.”

O futuro em aberto

Os primeiros tempos na Google foram de adaptação a uma nova realidade. Oito horas de trabalho passaram a ser o novo horário, que teve de ser gerido da melhor forma, na tentativa de replicar o que viveu, por exemplo, nos Países Baixos – “tem de haver planos para aproveitar o tempo depois do trabalho”. De momento, está a contribuir para o desenvolvimento de um produto da Google Cloud, o BigQuery.

“Tenho aprendido imenso e sei que é essencialmente isto o que me motiva a estar aqui. Gosto muito da forma como tratam os colaboradores, porque sinto que promovem um bom balanço entre a vida pessoal e profissional. O edifício onde trabalho tem 31 pisos e cada um tem uma sala de diversão e um piano; temos uma biblioteca, um ginásio, uma sala para colorir e uma com guitarras. É um ambiente muito diferente”, reflete a alumna da FEUP.

Sobre o futuro, as ideias são bem claras: não há impossibilidades. “Eu gosto de pensar que está tudo em aberto. Posso, até, mudar completamente de área, se achar que faz sentido. Quem sabe, abrir um café aos 40, ter uma quinta aos 50. Acho que a minha prioridade de agora, e aquilo que acho que vai pautar o meu futuro, é a vontade de estar onde posso aprender mais, correspondendo sempre aos gostos do momento em que me encontro”.

DEI contribui para a SPE 2026 com 50 atividades na área da Engenharia Informática

O Departamento de Engenharia Informática (DEI) marcou uma forte presença e muito participada na SPE 2026 – Semana Profissão Engenharia, que decorreu entre os dias 24 e 26 de março, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Ao longo dos três dias da SPE, o DEI dinamizou 50 atividades, todas com a duração de 30 minutos, envolvendo um elevado número de estudantes, docentes e visitantes. Quarenta dessas atividades integraram dois percursos exclusivamente dedicados à Informática, permitindo um contacto direto e aprofundado com diferentes áreas da Engenharia Informática. As restantes dez atividades estiveram inseridas em dois percursos “Sociedade do Futuro”, numa colaboração com o Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e outros institutos de investigação, promovendo uma abordagem interdisciplinar aos desafios tecnológicos emergentes.

As atividades do DEI distribuíram-se por vários formatos, incluindo mini‑workshops, demonstrações de projetos desenvolvidos em unidades curriculares e apresentações realizadas por núcleos estudantis e grupos de investigação. Nos mini‑workshops, os participantes tiveram a oportunidade de experimentar atividades práticas como programação em Python e programação com micro:bits, num ambiente interativo e acessível.

Diversas unidades curriculares do DEI estiveram representadas nesta edição, mostrando o trabalho desenvolvido nos diferentes ciclos de estudo. Do 2.º ano da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação (L.EIC) marcaram presença as unidades curriculares Lógica Computacional (LC) e Laboratórios de Desenvolvimento de Tecnologias de Software (LDTS). Do 3.º ano da LEIC, participaram Laboratórios de Bases de Aplicações Web (LBAW), Inteligência Artificial (AI) e Computação Gráfica (CG). Já do 1.º ano do Mestrado em Engenharia Informática e Computação (M.EIC) esteve presente a unidade curricular Sistemas de Gestão de Informação (SGI).

O programa incluiu ainda demonstrações da participação do DEI na Bosch Future Mobility Challenge (BFMC), competição internacional na área da condução autónoma, destacando o envolvimento do departamento em projetos de forte componente prática, tecnológica e de ligação à indústria.

Paralelamente, vários núcleos e grupos de estudantes contribuíram com apresentações próprias, nomeadamente ACM FEUP, ARMIS.LAB, xSTF, NCGM e IEEE UP Student Branch, reforçando o papel central dos estudantes na divulgação do curso e das áreas de investigação em Informática.

No total, a participação do DEI contou com o envolvimento de mais de 60 estudantes, cujo contributo foi essencial para o sucesso das atividades e para a interação com os estudantes do secundário.

A organização da participação do DEI esteve a cargo dos docentes do DEI: Carla Gonçalves, José Campos, Ricardo Cruz e Thiago Silva, garantindo uma presença bem estruturada, diversificada e representativa do departamento ao longo de todo o evento.

Com esta participação, o DEI reforçou o seu compromisso com a divulgação da Engenharia Informática, o contacto com a sociedade e a promoção do ensino, da investigação e da inovação junto dos futuros engenheiros.

DEI Talks | “Life Post Moore’s Law: The New Design Frontier” pelo Prof. Mark Horowitz (Stanford University)

A palestra “Life Post Moore’s Law: The New Design Frontier” será apresentada pelo Prof. Mark Horowitz (Stanford University), no dia 27 de março, às 14:00, na sala I-105. A sessão será moderada pelo Prof. Pedro Diniz (DEI).

Sobre a Palestra:

“For over 50 years, information technology has relied upon Moore’s Law: providing, for the same cost, 2x the number of logic transistors that were possible a few years prior. For much of that time, the smaller devices also provided dramatic energy and performance improvement through Dennard Scaling, but that scaling ended over a decade ago. While technology scaling continues, per transistor cost is no longer scaling in the advanced nodes. In this post Moore’s Law reality, further price/performance improvement follows only from improving the efficiency of applications using innovative hardware and software techniques.

Unfortunately, this need for innovative system solutions runs smack into the enormous complexity of designing and debugging contemporary VLSI based hardware/software platforms; a task so large it has caused the industry to consolidate, moving it away from innovation. The result is a set of platforms aim at different computing markets. To overcome this challenge, we need to develop a new design approach and tools to enable small groups of application experts to selectively extend the performance of those successful platforms.

Like the ASIC revolution in the 1980s, the goal of this approach is to enable a new set of designers, then board level logic designers, now application experts, to leverage the power of customized silicon solutions. Like then, these tools won’t initially be useful for current chip designers, but over time will underly all designs. In the 1980s to provide access to logic designers, the key technologies were logic synthesis, simulation, and placement/routing of their designs to gate arrays and std cells. Today, the key is to realize you are creating an “app” for an existing platform, and not creating the system solution from scratch (which is both too expensive and error prone), and to leverage the fact that modern “chips” are made of many chiplets. The new approach must provide a design window familiar to application developers, with similar descriptive, performance tuning, and debug capabilities. These new tools will be tied to highly capable platforms that are used as the foundation, like the appStore model for mobile phones. This talk will try to convince you this might be possible, and where innovative design/tools are needed.”

Sobre o Orador:

Professor Horowitz initially focused on designing high-performance digital systems by combining work in computer-aided design tools, circuit design, and system architecture. During this time, he built a number of early RISC microprocessors, and contributed to the design of early distributed shared memory multiprocessors. In 1990, Dr. Horowitz took leave from Stanford to help start Rambus Inc., a company designing high-bandwidth memory interface technology. After returning in 1991, his research group pioneered many innovations in high-speed link design, and many of today’s high speed link designs are designed by his former students or colleagues from Rambus.

In the 2000s he started a long collaboration with Prof. Levoy on computational photography, which included work that led to the Lytro camera, whose photographs could be refocused after they were captured. Dr. Horowitz’s current research interests are quite broad and span using EE and CS analysis methods to problems in neuro and molecular biology to creating new agile design methodologies for analog and digital VLSI circuits. He remains interested in learning new things, and building interdisciplinary teams.”

YACC – a única equipa portuguesa qualificada para a fase final do Bosch Future Mobility Challenge 2026

A equipa YACC – Yet Another Careless Car conquistou a qualificação para a fase final do Bosch Future Mobility Challenge 2026, destacando-se como a única equipa portuguesa entre as 22 selecionadas para esta etapa decisiva da competição.

A edição de 2026 revelou-se particularmente exigente, sendo considerada pela própria organização como a mais competitiva de sempre. Das 141 equipas candidatas, apenas 78 foram admitidas à competição, 57 concluíram a fase de qualificação e apenas 22 garantiram um lugar na fase final, o que reforça o elevado nível alcançado pela equipa do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

A YACC é composta pelos estudantes da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação (L.EIC) – Joana Azevedo Louro, Luís Miguel Costa Gonçalves, Luís Miguel Rosa Santos, Luís Wolffrom Barbosa e Leonor Silva Bidarra, sob a mentoria de Bruno Lima, docente do DEI. A iniciativa conta também com o envolvimento de Ricardo Cruz, também docente do DEI, que tem vindo a dinamizar trabalho na área dos veículos autónomos e que foi mentor da primeira equipa a atingir esta fase da competição, a “BeepLearning”, em 2022.

A qualificação da YACC assinala a terceira ocasião em que uma equipa que integra membros do DEI da FEUP alcança a fase final desta competição (depois da “BeepLearning” em 2022 e da “BadSeeds” em 2024), consolidando a presença da instituição num contexto internacional de elevada exigência técnica e científica.

A fase final, que inclui os Testing Days, Semi-Finals e Finals, decorrerá entre os dias 16 e 20 de maio, em Cluj-Napoca, Roménia, onde as equipas irão demonstrar o desempenho das suas soluções em ambiente competitivo.

O Bosch Future Mobility Challenge é uma competição técnica internacional promovida pelo Bosch Engineering Center Cluj-Napoca, que desafia equipas de estudantes a desenvolver algoritmos de condução autónoma e conectividade em veículos à escala 1/10. Estes veículos operam num ambiente que simula uma cidade inteligente em miniatura, sendo testados em cenários como manutenção de faixa, navegação em cruzamentos, interpretação de sinalização e interação com outros participantes no tráfego.

Mais informações sobre o percurso da equipa podem ser acompanhadas através da sua página de Instagram, onde será também possível apoiar a equipa na corrida ao Audience Award, atribuído com base na interação do público.

À YACC desejamos os maiores sucessos nesta fase final, assim como uma experiência verdadeiramente enriquecedora, tanto a nível técnico como pessoal.

Estudantes DEI/DCC em destaque no Prémio Incentivo 2026 da U.Porto

A Universidade do Porto revelou os vencedores do Prémio Incentivo 2026, distinguindo os estudantes que, no seu primeiro ano de percurso académico, alcançaram desempenhos excecionais no ano letivo 2024/2025. Entre os 23 premiados, a área da Engenharia Informática e Computação, lecionada conjuntamente pela FEUP e pela FCUP, destacou-se de forma particularmente expressiva.

Os estudantes distinguidos com o Prémio Incentivo 2026 incluem Rodrigo Roque (19,43 valores) e Jorge Cunha (19,43 valores), ambos da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação (L.EIC), que registaram a média mais alta entre todos os novos estudantes da U.Porto; Filipe Zheng (19,3 valores), da Licenciatura em Inteligência Artificial e Ciências de Dados (L:IACD); Gustavo Bastos (19,05 valores) e também António Morais (18,55), igualmente estudantes da L.EIC, premiados pelo desempenho destacado no seu primeiro ano.

O Prémio Incentivo, atribuído aos melhores estudantes do 1.º ano das 15 faculdades, representa não apenas um reconhecimento público de mérito, mas também um incentivo ao percurso académico futuro, sendo equivalente à propina anual de cada curso. Esta distinção será formalmente entregue na Sessão Solene do Dia da Universidade 2026.

Com desempenhos de excelência claramente acima da média, os estudantes de Engenharia Informática e Computação continuam a afirmar-se numa das áreas mais fortes e promissoras da U.Porto.

+ informação: Notícias.UP

ADN DEI | Daniel Freitas – da Tecnologia à Ação pelo Clima

Natural de Lamego, Daniel Freitas sempre ouviu os pais dizerem que tinha perfil para seguir Medicina, mas foi a Tecnologia que acabou por determinar o seu percurso pessoal e profissional.

Alumnus do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação da FEUP, Daniel trilhou um percurso marcado pela inovação, pelo serviço público e por um compromisso com a sustentabilidade. Durante o percurso académico, destacou-se pela intensa representação estudantil, tendo presidido à Federação Académica do Porto (FAP) e à Associação de Estudantes da FEUP (AEFEUP), além de ter integrado o Conselho Geral da Universidade.

Recentemente, desempenhou o cargo de Diretor para a Neutralidade Carbónica na Porto Ambiente, coordenando projetos estratégicos de impacto climático como o Pacto do Porto para o Clima e a Missão Europeia das 100 Cidades Inteligentes e com Impacto Neutro até 2030. O seu percurso profissional tem sido fortemente influenciado pela inovação e pela transição digital, tendo desempenhado funções de adjunto da vereação do Ambiente, Transição Climática e Inovação na Câmara Municipal do Porto, onde consolidou experiência em serviços ao cidadão e sistemas de informação.

Paralelamente, é docente na Faculdade de Economia da U.Porto (FEP) mantendo uma ligação profunda à Universidade do Porto.

Distinguido com o Prémio de Cidadania Ativa da U.Porto, Daniel Freitas é hoje uma voz reconhecida na confluência entre inovação, sustentabilidade e serviço público.

Conheça melhor Daniel Freitas em: Alumni Mundus_Casa Comum

Prémio Prática Pedagógica Inovadora 2026 premeia docentes do DEI e a sua Sala de Aula do Futuro

O Prémio Prática Pedagógica Inovadora (PPI), promovido pela Unidade de Inovação Educativa da Reitoria da U.Porto, distingue anualmente iniciativas que apresentem uma abordagem pedagógica sólida, bem estruturada e fundamentada, capaz de incentivar a participação ativa dos estudantes, integrar recursos inovadores e contribuir para a melhoria global do ensino e da aprendizagem.

Este ano o Prémio PPI distinguirá 6 projetos, de 11 docentes, que serão galardoados no próximo dia 23 de março, durante a Sessão Solene do Dia da Universidade 2026.

Entre eles está o curso “Colocar os Alunos em Primeiro Lugar: Conceber a Sala de Aula do Futuro”, dos docentes do DEI, António Coelho, Manuel Firmino Torres e Kira Gama Rocha.

António Coelho explica-nos que o curso constitui uma prática pedagógica inovadora centrada na aprendizagem ativa, colaborativa e interdisciplinar, concebida no âmbito do consórcio europeu European University Alliance for Global Health (EUGLOH) e implementada na Universidade do Porto.

A iniciativa combina metodologias de design thinking, gamificação e problem-based learning num formato intensivo de hackathon educativo, onde participantes de diferentes áreas, níveis de formação e nacionalidades co-criam propostas para reimaginar as salas de aula do futuro.
O modelo promove competências transversais essenciais, em particular pensamento crítico, criatividade, comunicação intercultural e colaboração, num ambiente que simula ecossistemas de inovação reais.

A prática foi avaliada através de inquéritos quantitativos e qualitativos, revelando elevados níveis de satisfação, perceção de desenvolvimento pessoal e valorização da dimensão humana e reflexiva do processo. Este curso posiciona-se como um protótipo replicável de educação transformadora, centrada nos estudantes, com impacto mensurável tanto na aprendizagem individual como na cultura institucional.

Todos os projetos premiados podem ser conhecidos na notícia recente publicada pela Universidade do Porto.

Estará a IA a criar uma crise de identidade para os programadores?

O avanço da Inteligência Artificial (IA) a um ritmo sem precedentes, está a redefinir profundamente o trabalho dos engenheiros de software, bem como a forma como estes percecionam a sua própria identidade profissional. Esta transformação esteve recentemente em destaque no artigo “AI is creating an identity crises for coders: “I focused on this one thing, and now it doesn´t matter anymore.””da Business Insider, que contou com contributos do Prof. Jorge Melegati, docente e investigador do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

A forma como trabalhamos em engenharia de software está a mudar a passo deste ritmo acelerado. Nos últimos meses, empresas tecnológicas de referência começaram a adotar ferramentas de IA que já escrevem grande parte do código que antes ocupava longas horas dos programadores. O papel destes profissionais passou, muitas vezes, de criadores de código a supervisores de IA, o que faz com que a forma como estes percecionam a sua própria identidade profissional esteja também a sofrer profundas alterações.

Segundo o Prof. Melegati, muitos engenheiros de software escolheram esta profissão pelo prazer de “construir coisas”, de transformar ideias em algo real através do código. É esse ato criativo, e por vezes até artesanal, que alimentou a identidade de gerações de programadores. Agora, ao verem a IA assumir grande parte dessa construção, alguns sentem que “o seu trabalho se está a tornar mais simples e, por consequência, menos gratificante”.

O Professor explica que, historicamente, tarefas como testar e validar software foram vistas como menos prestigiantes do que criar código de raiz. E é justamente para essas tarefas que muitos profissionais estão a ser empurrados à medida que os agentes de IA evoluem. Esta mudança pode gerar desconforto, sobretudo entre aqueles que definiram a sua identidade profissional com base na criação.

Apesar disso, a investigação citada no artigo aponta que o trabalho em engenharia de software não vai desaparecer, vai sim transformar se. As projeções nos EUA mostram que funções ligadas ao desenvolvimento e qualidade de software deverão crescer 15% até 2034, muito acima da média de outras profissões. A exigência será diferente, mas continuará a haver necessidade de engenheiros com pensamento crítico, capacidade de análise e visão sistémica.

Para o Professor, esta transição abre uma discussão fundamental: o que significa ser engenheiro de software quando o código já não é o centro do trabalho? Em vez de afastar a tecnologia, defende que devemos olhar para este momento como uma oportunidade. Ao libertar os profissionais das tarefas mais repetitivas, a IA pode permitir que se concentrem no que realmente importa: compreender problemas complexos; dialogar com utilizadores; pensar soluções; e tomar decisões fundamentadas.

A reflexão trazida pelo Prof. Jorge Melegati lembra-nos que a engenharia não é apenas técnica; é, antes de tudo, humana. E é nesse ponto, na interseção entre tecnologia e significado, que o DEI e a FEUP continuam a marcar presença na investigação internacional.

Foto: Getty Images através do artigo da Business Insider