Porto recebeu a ASSETS 2026, o principal fórum internacional sobre computação e acessibilidade

Entre os dias 25 e 28 de outubro realizou-se a 28.ª edição da International ACM SIGACCESS Conference on Computers and Accessibility (ASSETS 2026), o principal fórum internacional dedicado à investigação em acessibilidade digital e tecnologias inclusivas para pessoas com deficiência e pessoas idosas. Desde 1994 que esta conferência reúne investigadores, docentes, estudantes e profissionais de todo o mundo para apresentar e discutir trabalhos científicos inovadores nas áreas da informática, acessibilidade e tecnologias de apoio. Este ano o encontro reuniu 343 participantes, dos quais 274 presencialmente, provenientes de 24 países.

A conferência teve início no domingo, 25, com Workshops e o Doctoral Consortium, seguindo-se três dias de sessões científicas, com apresentações de artigos em duas salas em paralelo. Esta edição introduziu uma novidade, o reconhecimento do impacto social dos trabalhos, com artigos nomeados nesta categoria, a par das menções honrosas.

A sessão de abertura, a 26 de outubro, coube a Jacob O. Wobbrock, professor da University of Washington, que apresentou a keynote “Twenty-Five Years, Five Projects, and Five Reflections on Accessible Computing”. Nome de referência da área, conhecido, entre outros contributos, pela abordagem do ability-based design, foi este ano distinguido com o ACM SIGACCESS Award for Outstanding Contributions to Computing and Accessibility.

O programa científico evidenciou a amplitude e a natureza multidisciplinar da investigação em acessibilidade. Houve sessões dedicadas a tecnologias de apoio criadas pelos próprios utilizadores, educação em computação, teoria crítica da deficiência, acessibilidade de visualizações de dados e de documentos, imagem, vídeo e audiodescrição, mobilidade e exercício físico, realidade virtual e estendida, co-design, música, arte e criatividade, acessibilidade no local de trabalho, saúde, envelhecimento e vida quotidiana. A neurodiversidade, nomeadamente a PHDA, a dislexia e o autismo, esteve igualmente presente.

A inteligência artificial teve um peso evidente, desde a geração de texto alternativo e a audiodescrição com modelos de linguagem até à interação de pessoas surdas com sistemas de IA e ao uso de assistentes de voz por pessoas idosas, numa sessão própria dedicada às experiências com IA. Vários relatos de experiência foram escritos na primeira pessoa, por investigadores que vivem com deficiência, dando voz a quem investiga a partir da experiência vivida.

Houve também contributos de investigadores ligados a instituições portuguesas, entre eles trabalhos assinados por Hugo Nicolau, Isabel Neto e Tiago Guerreiro, da Universidade de Lisboa, como o SL4Fun, um jogo colaborativo para crianças ouvintes e surdas ou com perda auditiva em contexto de sala de aula bilingue, e um estudo sobre expressão artística de pessoas com deficiência motora com apoio de um braço robótico guiado por realidade aumentada.

O programa incluiu ainda três sessões de posters e demonstrações, a Student Research Competition, dedicada a trabalhos de estudantes de licenciatura e pós-graduação, e a reunião anual da SIGACCESS, antes da cerimónia de encerramento, realizada a 28 de outubro.

A organização geral esteve a cargo de Stephanie Ludi (University of North Texas) e de Hugo Nicolau (Universidade de Lisboa), com Stacy Branham, Foad Hamidi, Mingming Fan e Jenny Waycott como Program Chairs. A organização local, no Porto, foi assegurada por Daniel Mendes e Letícia Seixas Pereira, docentes do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, como Local Arrangements Chairs. Teresa Matos, assistente convidada no DEI e doutoranda, integrou também a equipa como Student Volunteer Chair.

Os artigos aceites, bem como os resumos de posters e demonstrações, relatos de experiência e trabalhos da Student Research Competition, ficam arquivados na ACM Digital Library.

Porto recebeu a 12.ª edição da IEEE International Smart Cities Conference

A cidade do Porto acolheu, de 27 a 30 de outubro, a 12.ª edição da IEEE International Smart Cities Conference (ISC2 2026), o evento anual de referência da IEEE Smart Cities Technical Community. A conferência reuniu cerca de 250 participantes, entre investigadores, engenheiros, profissionais da indústria, estudantes e representantes de entidades públicas, para partilhar conhecimento, apresentar investigação de ponta e discutir soluções para os desafios das cidades contemporâneas.

Com o tema “Shaping Sustainable Futures”, a edição de 2026 teve o patrocínio técnico da IEEE Portugal Section e foi coorganizada pelo subcomité de atividades técnicas Artificial Transportation Systems and Simulation da IEEE ITS Society. A organização foi liderada por Rosaldo Rossetti, docente do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), e por Sara Paiva, docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Estiveram igualmente envolvidas as unidades de investigação SYSTEC, CITTA, LIACC e ADiT-Lab.

“A ISC2 2026 procura promover o diálogo entre investigação, indústria e entidades públicas para acelerar a transição para cidades mais inteligentes, resilientes e sustentáveis. Reunir esta comunidade internacional no Porto constitui uma oportunidade para mostrar o contributo científico e tecnológico que está a ser desenvolvido em Portugal neste domínio.”
Rosaldo Rossetti, General Chair da ISC2 2026

A conferência teve início com um dia dedicado a workshops e tutoriais sobre temas emergentes como mobilidade sustentável, gémeos digitais urbanos, inteligência artificial agêntica, saúde digital preventiva, gestão inteligente da água e neutralidade climática das cidades. Seguiram-se três dias de sessões científicas organizadas em torno de dez áreas temáticas, refletindo a natureza multidisciplinar das cidades inteligentes e sustentáveis. O programa incluiu apresentações orais, sessões de posters, painéis temáticos e demonstrações tecnológicas. Entre os destaques contaram-se os painéis “From Sensors to Data” e “Smart and Sustainable Campus”, bem como a demonstração de um veículo autónomo e conectado, que ilustrou algumas das mais recentes aplicações de tecnologia em contexto urbano.

A ISC2 2026 contou ainda com quatro conferências plenárias de especialistas internacionais de reconhecido mérito. Henish Balu, responsável de Dados e Inteligência Artificial da Porto Digital, apresentou a forma como a cidade utiliza plataformas digitais para apoiar a tomada de decisão urbana. Susana Sargento, professora da Universidade de Aveiro e investigadora do Instituto de Telecomunicações, abordou os avanços da mobilidade autónoma cooperativa, da investigação à aplicação em cenários reais.
Por sua vez, Chris Mi, Distinguished Professor da San Diego State University, explorou novas soluções de conversão de energia para centros de dados de inteligência artificial. Já Surekha Deshmukh, vice-presidente da IEEE Technology for Sustainable Climate Matrix Organization (TSCMO) e responsável da Tata Consultancy Services, discutiu os impactos económicos, sociais e ambientais dos centros de dados nas cidades do futuro.

Além da componente científica, a ISC2 2026 proporcionou várias oportunidades de networking e colaboração internacional através de um programa social que incluiu uma receção de boas-vindas e um jantar de gala com cerimónia de entrega de prémios.

Os trabalhos decorreram no renovado Edifício Abel Salazar, da Universidade do Porto, um dos espaços históricos mais emblemáticos da cidade. Inaugurado em 1935, o edifício combina arquitetura neo-clássica com elementos Art Déco e acolheu todas as sessões científicas e atividades sociais da conferência.

A conferência encerrou com um balanço muito positivo, marcado pela qualidade científica do programa, pela excelência da organização e pelo ambiente colaborativo vivido ao longo dos quatro dias, e contribuiu para reforçar o diálogo internacional em torno do futuro das cidades inteligentes e sustentáveis.

FEUP acolheu no Porto a 22.ª Cimeira Europeia de Líderes de Informática

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu, entre 26 e 28 de outubro, a 22.ª edição da European Informatics Leaders Summit (ECSS), organizada pela Informatics Europe e coorganizada pelo Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FEUP. A cimeira reuniu cerca de 130 participantes para debater questões estratégicas e políticas atuais em investigação e educação e impulsionar ações coletivas nos níveis institucional e de políticas públicas.

Ao contrário de uma conferência científica centrada na apresentação de artigos, a ECSS constituiu um espaço de reflexão estratégica sobre o futuro da Informática e das instituições que a desenvolvem.

A edição de 2026 foi presidida por Ana Paiva, docente do DEI da FEUP e membro do Board da Informatics Europe, que destacou a importância do encontro para “aproximar quem lidera a investigação e o ensino em Informática na Europa, promover a partilha de experiências e refletir em conjunto sobre as escolhas que irão moldar o futuro da disciplina”. “Foi um privilégio acolher este debate no Porto e na FEUP”, afirmou.

As origens da cimeira remontam a 2005, quando responsáveis de departamentos europeus de Informática se reuniram na ETH Zurich para discutir desafios comuns e a necessidade de uma voz europeia para a área. Essa primeira cimeira levou à criação da Informatics Europe, que a organiza anualmente desde então. A Informatics Europe reúne cerca de 200 instituições-membro em mais de 30 países e, segundo a própria associação, liga mais de 50 mil investigadores. Promove a cooperação entre instituições e contribui para o debate de políticas relacionadas com a educação, a investigação e o impacto social da Informática.

Para o diretor da FEUP, Rui Calçada, “acolher a ECSS 2026 colocou a FEUP no centro do debate europeu sobre o futuro da Informática e o papel das universidades na transformação digital. Num tempo de grandes desafios científicos, educativos e tecnológicos, este encontro foi uma oportunidade para reforçar a cooperação europeia e promover uma inovação assente no rigor científico, na ética e no benefício para a sociedade.”

Estratégia, IA e ética no centro do programa

A cimeira abriu com intervenções do diretor da FEUP, Rui Calçada, do diretor do DEI, João Cardoso, e do presidente da Informatics Europe, Jean-Marc Jézéquel. O Strategy Workshop, copresidido por Ana Paiva e Jean-Marc Jézéquel e dedicado ao tema “Beyond Plans: Strategy and Impact in Academia”, foi o fio condutor do programa. Começou com duas palestras, sobre a evolução da publicação científica e da revisão por pares e sobre a transformação digital das universidades através de gémeos digitais, prosseguindo depois com a sessão interativa “Doing Strategy in Academia: From Plans to Impact”, na qual os participantes trabalharam a definição e implementação de estratégias para as suas instituições.

A keynote da cimeira esteve a cargo de Gitta Kutyniok, titular da Bavarian AI Chair for Mathematical Foundations of Artificial Intelligence na LMU Munich, consultora no DLR-German Aerospace Center e professora adjunta de Machine Learning na University of Tromsø. A apresentação, intitulada “Towards Reliable and Sustainable AI: Foundations and the Future of Informatics”, abordou os desafios da fiabilidade e sustentabilidade da inteligência artificial.

Os workshops temáticos completaram o programa. Em cibersegurança, um painel confrontou a formação universitária com a aprendizagem informal em competições CTF e comunidades online, discutindo também se a IA acelera a aprendizagem ou reduz a compreensão profunda. A ética digital incidiu sobre interfaces inclusivas e éticas, com casos relacionados com manipulação nas redes sociais, padrões obscuros em avisos de consentimento de cookies, exploração de dados pessoais e desinformação. Na área da investigação em educação, debateram-se o papel da IA no ensino superior de Informática, a colaboração entre academia e indústria e a transição dos estudantes para o ensino superior. Por fim, a ciência aberta foi abordada a partir do software de código aberto, discutindo-se o seu reconhecimento na avaliação da investigação, o ensino, as infraestruturas e as políticas institucionais.

O primeiro dia terminou com uma receção de boas-vindas, que contou com palavras de Rodrigo Passos, vereador da Câmara Municipal do Porto com os pelouros da Transformação Digital e Serviços ao Cidadão e do Desporto, Juventude e Associativismo. A presença do município associou a cidade a um encontro que reuniu a comunidade europeia da Informática e refletiu o seu interesse em acompanhar a inovação e a transformação digital.

A ECSS 2026 contou com o apoio de ARMIS Group e Retail Consult (Silver) e de Deloitte, Critical TechWorks, INESC TEC, Sonae, Synopsys e UZH Department of Informatics (Bronze).

Mais informações: informatics-europe.org/ecss-2026.

DEI Talks | “Graph-Based Approaches to Biological Systems: Applications in Neuroimaging and Molecular Networks” por Tiago Azevedo

No dia 7 de outubro, Tiago Azevedo, investigador associado no Department of Computer Science and Technology e research fellow da Hughes Hall, da University of Cambridge, é convidado das DEI Talks e apresentará “Graph-Based Approaches to Biological Systems: Applications in Neuroimaging and Molecular Networks”. A sessão acontecerá na sala B006, às 14:30, e terá a moderação do Prof. Rosaldo Rossetti (DEI).

Alumnus do DEI-FEUP, concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação em 2015, sob a supervisão do Professor Rosaldo Rossetti. Após a sua formação no Porto, prosseguiu o percurso académico na Universidade de Cambridge, onde realizou o doutoramento e desenvolve atualmente a sua atividade de investigação. Será uma excelente oportunidade para conhecer o percurso de um antigo estudante do DEI que hoje contribui para o avanço da investigação em inteligência artificial aplicada a alguns dos mais importantes desafios da saúde e da biologia.

Sobre a DEI Talk:

“Biological systems can be represented as networks in which nodes correspond to brain regions, genes, or proteins, and edges capture functional, statistical, or potentially causal relationships. In this talk, I will discuss how graph-based methods can be used to model such systems, focusing first on a deep graph neural network architecture for learning spatio-temporal dynamics from resting-state functional MRI data.
I will then turn to molecular networks, briefly discussing previous work on multilayer modelling of the human transcriptome (i.e., gene expression). The main focus will then be my current work on causal discovery and stability analysis in high-dimensional proteomic data, motivated by Parkinson’s disease. Specifically, I will describe how traditional causal graph estimation and consensus analysis can be used to identify molecular relationships and communities that are robust to variation in the data.”

Sobre o Orador:

“Tiago Azevedo is a research associate at the Department of Computer Science and Technology and a research fellow at Hughes Hall, at the University of Cambridge, where he broadly likes to research applications of artificial intelligence in the medical and biological domains.
His current position, funded under the Sustaining Innovation Postdocs (SIPD) programme by Astex Pharmaceuticals, centres on applying machine learning to better understand Parkinson’s disease. Specifically, uncovering biologically grounded patient subtypes by integrating multi-modal data. Prior to his current focus on Parkinson’s disease, Tiago worked on cancer models using Raman spectroscopy histology data as part of CHARM, one of the first ever European Innovation Council Transition Challenges projects funded by the EU. He also spent over a year as a senior research scientist at Arm, working on efficient probabilistic machine learning and graph neural networks.”

Provas de Doutoramento em Media Digitais (PDMD) | ”Tecnologias Insurgentes a partir dos Afetos, Territórios e Desobediências Tecnopolíticas Negras, Feministas e Dissidentes no Brasil”

Candidata:
Juliana Vieira Valentim

Data, Hora e Local:
09 de outubro de 2026, às 14h00, na Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:

Doutor Pedro Nuno Ferreira da Rosa da Cruz Diniz, Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Vogais:

Doutora Leonor Graciela Natansohn, Professora Associada da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Brasil;

Doutor Paulo Nuno Gouveia Vicente, Professor Associado com Agregação do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa;

Doutora Maria João Lopes Antunes, Professora Associada do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro;

Doutora Carla Sofia Marques da Silva, Professora Associada do Departamento de Ciências da Educação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto;

Doutor Pedro Jorge Couto Cardoso, Professor Auxiliar do Departamento de Design da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (Orientador).

A tese foi coorientada pelo Doutor António Fernando Vasconcelos Cunha Castro Coelho, Professor Associado com Agregação do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e pelo Doutor Ricardo Manuel Coelho de Melo, Investigador Sénior da equipa de Human-Centred Design da Fraunhofer Portugal AICOS.

Resumo:

Nas últimas décadas, a consolidação da internet corporativa e o poder das big tech reconfiguraram, em escala global, os circuitos de circulação de informação, a mediação do trabalho e a produção de subjetividades, intensificando formas de extração de valor centradas em dados, atenção e trabalho imaterial. No Sul Global, tais dinâmicas tendem a aprofundar dependências tecnológicas e assimetrias históricas, enquanto a conectividade permanece frequentemente narrada como um vetor universal de desenvolvimento e inclusão.

Situada no contexto brasileiro, esta tese examina como redes comunitárias e autônomas, infraestruturas feministas e tecnologias sociais disputam os sentidos da conectividade, do trabalho e da governança digital, deslocando-os de enquadramentos tecnicistas e universalistas para práticas territorializadas orientadas por autonomia, cuidado e justiça social.

O objetivo central desta tese consiste em compreender as transformações na política da tecnologia quando esta é articulada a partir de epistemologias feministas, decoloniais, negras e comunitárias, bem como analisar de que modo tais experiências reconfiguram narrativas e práticas de apropriação tecnológica ao conceber a internet como território em disputa e espaço de poder, a partir das vivências e materialidades dos próprios territórios.

Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, feminista e decolonial, combinando trabalho de campo multissituado com entrevistas, observação participante e análise de documentos e materiais produzidos pelas iniciativas. A análise foi conduzida a partir de uma perspectiva discursivo-material, articulando significados, infraestruturas e formas de organização sociotécnica.

Os resultados indicam que as experiências examinadas não se limitam a “soluções” para as desigualdades de acesso. Elas configuram tecnologias insurgentes: arranjos sociotécnicos que reordenam quem pode definir prioridades tecnológicas, quais escalas importam e quais critérios de sustentabilidade e legitimidade orientam a conectividade e, mais amplamente, o campo da tecnologia digital.

Ao recentrar a reprodução da vida como horizonte analítico e político, essas práticas afirmam a existência incorporada – o corpo e o cotidiano –, bem como afetos, ancestralidade e relações de interdependência entre humanos e mais-do-que-humanos. Desse modo, reinscrevem no campo digital genealogias históricas de resistência coletiva negra, feminista e dissidente, ampliando-as para as disputas contemporâneas em torno da infraestrutura digital, dos direitos digitais e da governança da internet.

Nessa chave, a tecnologia é compreendida como prática relacional atravessada por raça, gênero, sexualidade, classe e território. Assim, a tese contribui para o debate sobre descolonização digital ao demonstrar que outros imaginários sociotécnicos, plurais, situados e coletivos, já estão em curso, oferecendo alternativas viáveis diante do colapso aprofundado pelo capitalismo-colonial na era digital.

Palavras-chave: Autonomia Digital; Comunicação Comunitária; Feminismo Decolonial; Hackfeminismo; Soberania Tecnológica.

Creativity Talk 20 | “Criatividade na Educação: Estamos Preparados para o Futuro?” por Denise Fleith

A vigésima sessão das Creativity Talks contará com Denise de Souza Fleith, Professora Titular e Investigadora Sénior do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, como oradora.

A sessão terá como tema “Criatividade na Educação: Estamos Preparados para o Futuro?”. A apresentação será realizada em português e terá lugar online no dia 8 de outubro de 2026, às 17:30, com a moderação de Manuel Firmino Torres, Professor Auxiliar do DEI da FEUP.

Aprender a pensar e a agir criativamente tornou-se um requisito fundamental para a formação pessoal, academica e profissional na contemporaneidade. Para enfrentar os desafios do século XXI e preparar as novas gerações para um futuro cada vez mais complexo e imprevisível, é essencial que os estudantes se sintam protagonistas de sua aprendizagem e acreditem em sua capacidade de contribuir para o bem-estar coletivo e para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. Esta apresentação tem como objetivo discutir o papel da criatividade no contexto educacional à luz de modelos teóricos, evidências empíricas e práticas pedagógicas fundamentadas em evidências científicas. Busca-se analisar a relação entre criatividade e os processos de ensino e aprendizagem, identificando fatores que favorecem ou inibem a expressão do potencial criativo, bem como práticas pedagógicas e características de um clima de sala de aula promotoras da criatividade de estudantes e professores. Vale destacar que a criatividade não se reduz à inspiração ou a um dom inato, mas constitui um fenomeno complexo e dinâmico, resultante da interação entre fatores pessoais, sociais, culturais e históricos. Nessa perspectiva, promover a criatividade na educação implica criar ambientes de aprendizagem que valorizem a curiosidade, a autonomia, o pensamento crítico, a colaboração e a resolução criativa de problemas, favorecendo sua preparação para os desafios do presente e do futuro.

Sobre a Oradora:

“Denise de Souza Fleith é psicóloga e PhD em Psicologia Educacional pela University of Connecticut. Realizou pós-doutorado no National Academy for Gifted and Talented Youth, Inglaterra, e na Universidade do Minho, Portugal. Professora titular e pesquisadora sênior do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e membro do Comitê Técnico-Científico da Rede Nacional Ciência para Educação. É fellow da International Society for the Study of Creativity and Innovation. Foi Presidente do World Council for Gifted and Talented Children (2021-2025).”

Assista no canal YouTube das CT’s: https://www.youtube.com/watch?v=f30JR_nHrDA

Agende: Google calendar

Creativity Talk 19 | “The Human Connection: The Essential Compass to Innovating Technologies That Matter” por Daniela Damian

A décima nona sessão das Creativity Talks realizou-se no dia 21 de setembro de 2026, na Faculdade de Engengaria da Universidade do Porto, e contou com a participação de Daniela Damian, Professora e ECS-CAPI Chair in Inclusive Science, Technology and Engineering (Lero Parnas Scholar) do Departamento de Computer Science da University of Victoria, como oradora. A sessão, moderada por Rui Maranhão, Professor Catedrático do DEI, teve como tema “The Human Connection: The Essential Compass to Innovating Technologies That Matter”.

Na sua apresentação, Daniela Damian refletiu sobre a crescente importância de compreender os utilizadores e as suas experiências num mundo cada vez mais moldado por tecnologias digitais e inteligência artificial. Destacou que, embora as abordagens centradas no utilizador sejam amplamente reconhecidas na engenharia de software, a ligação humana continua a ser essencial para o desenvolvimento de tecnologias inclusivas e com impacto real. Com base em diversos projetos de engenharia de software orientados para desafios societais, abordou a importância de competências como a construção de relações, a empatia autêntica, a capacidade de compreender diferentes perspetivas e a sensibilidade cultural, defendendo que estas competências são fundamentais para garantir que a inovação tecnológica permanece orientada para a dignidade, a equidade e as necessidades das pessoas.

Sobre a Oradora:

“Daniela Damian is a Professor of Software Engineering and the ECS-CAPI Chair in Inclusive Science, Technology, and Engineering at the University of Victoria. Along the years, together with her students, she led empirical research that studied the human and social aspects of requirements engineering and software development, with a special focus on teamwork, remote communication, and collaboration. She is the founder and Director of the INSPIRE:STEM for Social Impact Program at the University of Victoria, where diverse teams engage in community-driven, experiential-learning science and engineering projects for societal impact. Daniela served as Program Chair for major Software Engineering conferences and in particular, was the Co-Chair of the inaugural conference on Software Engineering in Society in 2014, RE 2019 and ICSE 2022; she has served on the editorial boards of Transactions on Software Engineering, and is serving on the Advisory Board at the Empirical Software Engineering Journal. Daniela was the recipient of the 2019 Faculty of Engineering Teaching Award and of the 2020 Provost’s REACH Award for Excellence in Teaching for Experiential Learning. In 2019 she received the Royal Society New Zealand Catalyst: International Leader Award, and in 2024, she became a Lero Parnas Fellow. Daniela is an ACM Distinguished Speaker and was recently honored with the 2026 SIGSOFT Influential Educator Award. Read more about her projects and research at danieladamian.ca, and listen to her TEDxVictoria talk on her humble take on the power of empathy in tech design for a diverse, kinder world. She can be contacted at danielad@uvic.ca.”

Festa do Software Livre 2026

A Festa do Software Livre 2026 realiza-se no próximo dia 26 de setembro, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Organizado pela ANSOL – Associação Nacional para o Software Livre, o encontro decorre entre as 9h00 e as 19h00 e integra as comemorações do Dia do Software Livre.

Com entrada gratuita e aberto a toda a comunidade, o evento pretende promover o software livre e o código aberto como instrumentos de colaboração, partilha de conhecimento e participação cívica. A organização prevê uma programação composta por apresentações curtas, momentos de convívio e espaços de discussão informal entre participantes.

A sessão de abertura está prevista para as 10:00. Entre as apresentações já anunciadas encontra-se “apt install comunidade”, dedicada a problemas de dependências e bugs críticos, por André Barbosa, da Wikimedia Portugal e “De que lado estamos? Tecnopolítica, software livre e o que aí vem”, apresentada por Ricardo Lafuente, da D3.
Durante a tarde, estão previstas lightning talks espontâneas, com intervenções de três minutos por parte dos participantes, além de uma apresentação sobre os 25 anos da ANSOL, por Rúben Mendes. O programa termina com a desconferência “Conversas Livres”, destinada à participação da comunidade, seguindo-se um momento de convívio num local ainda por definir.

Embora a participação seja livre, a ANSOL solicita que os interessados preencham previamente o formulário de inscrição. O registo permitirá à organização preparar as condições logísticas do evento, nomeadamente o almoço e a receção dos participantes.

A edição deste ano conta, uma vez mais, com o apoio do Departamento de Engenharia Informática da FEUP.

Provas de Doutoramento em Media Digitais (PDMD): ”Augmented Reality Adoption in Complex Manufacturing Systems: A Human-Centred Informational Approach”

Candidata:
Filipa Rente Ramalho

Data, Hora e Local:
21 de julho de 2026, às 14h30 na Sala Professor Joaquim Sarmento (G129) do DECG da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:
Doutor António Fernando Vasconcelos Cunha Castro Coelho, Professor Associado com Agregação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Vogais:

Doutor Gregorio Jean Varvakis Rados, Professor Titular do Departamento de Engenharia do Conhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil;

Doutor Paulo José Osório Rupino da Cunha, Professor Associado com Agregação do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra;

Doutora Paula Cristina Gonçalves Dias Urze, Professora Associada com Agregação do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa;

Doutor Américo Lopes de Azevedo, Professor Catedrático do Departamento de Engenharia e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto;

Doutor António Manuel Lucas Soares, Professor Associado do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Orientador).

Resumo:

DEI Talks | “The Cognitive and Human Factors of Formal Methods” pelo Prof. Shriram Krishnamurthi (Brown University)

A palestra intitulada “The Cognitive and Human Factors of Formal Methods” será apresentada no dia 23 de julho, às 11:00, na sala B025, com a moderação da Prof. Alexandra Mendes (DEI).

Sobre a Palestra:

“As formal methods improve in expressiveness and power, they create new opportunities for non-expert adoption. In principle, formal tools are now powerful enough to enable developers to scalably validate realistic systems artifacts without extensive formal training. However, realizing this potential for adoption requires attention to not only the technical but also the human side—which has received extraordinarily little attention from formal-methods research.
This talk presents some of our efforts to address this paucity. We apply ideas from cognitive science, human-factors research, and education theory to improve the usability of formal methods. Along the way, we find misconceptions suffered by users, how technically appealing designs that experts may value may fail to help, and how our tools may even mislead users.”

Sobre o Orador:

Shriram Krishnamurthi is a Professor of Computer Science at Brown University. With collaborators and students, he has created several influential systems like DrRacket, Margrave, Flapjax, LambdaJS, Flowlog, and Pyret. He has also written multiple widely-used books. He also co-directs the Bootstrap integrated computing outreach program. For his work he has received SIGPLAN’s Robin Milner Young Researcher Award, SIGPLAN’s Software Award (jointly), SIGSOFT’s Influential Educator Award, SIGPLAN’s Distinguished Educator Award (jointly), and Brown’s Wriston and Philip J. Bray teaching awards. He has authored over twenty papers recognized for honors by program committees. He has an honorary doctorate from the Università della Svizzera Italiana.