Candidato:
Pinto Francisco Impito
Data, Hora e Local:
19 de junho de 2026, às 14:00 na Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Presidente do Júri:
Doutor Pedro Nuno Ferreira da Rosa da Cruz Diniz, Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Membros:
Doutora Felisbela Maria Carvalho Lopes, Professora Catedrática do Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
Doutora Ivone Marília Carinhas Ferreira, Professora Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa;
Doutora Carla Susana Moiteiro Ganito Afonso, Professora Associada da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa;
Doutor José Manuel Pereira Azevedo, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Orientador);
Doutor Ricardo José Pinheiro Fernandes Morais, Professor Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
A tese foi coorientada pelo Doutor Vasco Francisco Japissane Cumbe, Professor na Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Moçambique.
Resumo:
Introdução:
A crescente complexidade dos sistemas de saúde, combinada com o rápido avanço tecnológico, tem transformado as formas de produzir, disseminar e utilizar ferramentas digitais na área da saúde. Em paralelo, a disponibilização sem precedentes de dispositivos móveis e recursos audiovisuais ampliou o acesso às tecnologias, mas também introduziu novos desafios, como as limitações de uso decorrentes de problemas estruturais e infraestruturais, bem como desigualdades no acesso.
Objetivo:
O presente estudo teve como objetivo geral avaliar a implementação de tecnologias digitais na comunicação em saúde em Moçambique, com foco no uso de vídeos, dando especial atenção à interação médico-paciente e à formação médica. O estudo implementou e avaliou recursos digitais baseados em simulação interativa, educação e modelagem, propondo um modelo moçambicano de inovação digital adaptado ao contexto local.
Metodologia:
A pesquisa foi desenvolvida por meio de três estudos: (1) Vídeo de Simulação Interativa (VSI) na Formação Médica, (2) Vídeo de Educação Aumentada (VEA) no Aconselhamento Pré-TARV de Pacientes HIV-positivos e (3) Vídeo de Modelagem (VM) nas Estratégias de Recuperação Fisioterapêutica. O Estudo 1 avaliou a usabilidade, o valor educativo e a experiência interativa do VSI com estudantes de medicina (N = 93), adotando uma abordagem sequencial exploratória. O Estudo 2 adotou um desenho quase experimental, com grupo de intervenção (GI = 23) e de comparação (GC = 23), envolvendo pacientes HIV-positivos, empregando o teste U de Mann-Whitney para comparar dimensões relacionadas à qualidade do aconselhamento. O Estudo 3 seguiu um desenho longitudinal, com pré- e pós-intervenção, para avaliar o impacto do VM na execução de exercícios de recuperação motora por cuidadores de pacientes com AVC.
Resultados:
Os estudos revelam (1) elevados níveis de concordância quanto ao realismo, à relevância clínica e à utilidade pedagógica (VSI); (2) diferenças estatisticamente significativas entre os grupos (GI, GC) quanto ao tempo dedicado ao atendimento, à adequação do formato do aconselhamento e à tomada de decisão para adesão ao TARV (VEA); e (3) melhorias relevantes após a intervenção no fortalecimento da aprendizagem prática e na confiança na execução de procedimentos de recuperação motora (VM). De modo geral, a pesquisa mostrou que o uso estruturado e adaptado de recursos digitais, conforme proposto nesta tese, tem alto potencial para transformar processos de comunicação em ambientes com recursos limitados.
Conclusão:
A pesquisa destaca a importância da integração estruturada e adaptada dos media digitais em contextos com recursos limitados. Investigações futuras devem explorar desenhos experimentais mais sólidos, com amostras alargadas e acompanhamento longitudinal, bem como avaliar o impacto dessas intervenções na prática clínica real e nos indicadores de adesão ao tratamento. A consolidação do modelo moçambicano de inovação digital pode avançar para políticas de educação em saúde sustentáveis e promover a transformação digital do ensino médico em Moçambique.
Palavras-chave: Inovação digital; Vídeo; Educação Médica; interação médico-paciente; Moçambique.









