Equipas da FCUP e da FEUP brilham na MIUP

Por Renata Silva (FCUP) e Mafalda Leite (SICC/FEUP)

” Várias equipas de estudantes da Faculdade de Ciências (FCUP) e da Faculdade de Engenharia (FEUP) da Universidade do Porto brilharam na mais recente edição da Maratona Inter-Universitária de Programação (MIUP), que decorreu no passado dia 18 de outubro, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda da Universidade de Aveiro. A U.Porto dominou o pódio da competição com a conquista de medalhas de ouro, prata e bronze.

Na liderança ficaram os “Tiny Silly Problem”, que conseguiram resolver oito dos 10 problemas propostos. A equipa é composta pelos estudantes Marco Vilas Boas, do Mestrado em Engenharia Informática e Computação (FEUP), Félix Martins, do Mestrado em Inteligência Artificial (FEUP e FCUP), e Patrick Daniel, do Mestrado em Ciência de Computadores (FCUP).

Já uma das medalhas de prata da competição ficou para os “Long long main“, dos estudantes Luís Barbosa, Luís Gonçalves e Sofia Sousa (todos do 3º ano da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação da FEUP e FCUP), por conseguirem resolver quatro dos problemas propostos.

Em 5º lugar da competição ficaram os “oneL”, que conquistaram o bronze, também com a resolução de quatro dos desafios da competição. Desta equipa fazem parte os estudantes Filipe Zheng, do 2.º ano da licenciatura em Inteligência Artificial e Ciência de Dados (FCUP e FEUP), Miguel Rocha e Rayner Sulyak, do 1.º e do 2.º ano da licenciatura em Ciência de Computadores (FCUP), respetivamente.

Na competição participaram ainda os “The CodeFathers”, dos estudantes Joana Louro e Luís Santos, do 3º ano da licenciatura em Engenharia Informática e Computação, e Luís Santos e Pedro Machado, da licenciatura em Ciência de Computadores, que terminaram em 13.º lugar.

As equipas tiveram como treinadores Pedro Ribeiro, docente do DCC da FCUP e André Restivo, docente do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FEUP. Este é o terceiro ano em que as equipas da FEUP e da FCUP competem sob a bandeira unificada da Universidade do Porto. “Estes resultados destacam o talento e a dedicação dos nossos estudantes, bem como a colaboração entre a FEUP e a FCUP. Em particular, a equipa vencedora, composta por elementos de ambas as faculdades e de um curso conjunto, mostra como a cooperação dentro da Universidade do Porto pode levar a resultados de excelência”, destaca André Restivo, docente no Departamento de Engenharia Informática da FEUP.

Pedro Ribeiro, docente da FCUP, salienta também “o gratificante esforço conjunto de duas faculdades que percebem que a UP como um todo é mais forte e unida numa área de grande prestígio”. “A participação nos concursos e toda a preparação e treino que envolvem tem grande relevância no crescimento científico dos nossos participantes, e temos orgulho em ver nos atuais e anteriores concorrentes um leque vasto de percursos de excelência académica e profissional”, acrescenta.

As três equipas medalhadas vão agora representar a U.Porto no Southwestern Europe Regional Contest (SWERC) 2025, que se realiza de 21 a 23 de novembro, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

Sobre a MIUP

A Maratona Inter-Universitária de Programação (MIUP) é uma prova de programação que tem como destinatários os estudantes do ensino superior. A prova é disputada por equipas, com um máximo de 3 elementos, onde, durante cinco horas as equipas procurarão resolver entre nove e 11 problemas diversos, recorrendo às linguagens de programação C, C++, Java ou Python.

A competição permite que os participantes testem a sua capacidade de resolução de problemas, possibilitando, em simultâneo, o convívio e a troca de experiências entre alunos e professores das instituições de ensino superior portuguesas.”

DEI Talks | “Energy-awareness in compute acceleration: The role of FPGAs” pelo Prof. Shreejith Shanker

A palestra intitulada “Energy-awareness in compute acceleration: The role of FPGAs“, será apresentada pelo Prof. Shreejith Shanker no dia 30 de outubro, às 11:30, na sala B012, e será moderada pelo Prof. Tiago Carvalho (DEI).

Resumo:

“The talk will cover a set of projects that my team at TCD is working on, spanning embedded and distributed systems to high-performance media workflows, and how FPGAs are enabling an energy-performance trade-off in these applications.”

Sobre o Palestrante:

Shreejith Shanker é Professor Auxiliar de Computação Reconfigurável no Trinity College de Dublin, Irlanda, e lidera o grupo de investigação sobre arquitecturas reconfiguráveis, aceleradores e fluxos de trabalho. Os seus interesses de investigação incluem arquitecturas de computação reconfiguráveis e adaptáveis, computação em rede, fluxos de trabalho de pós-produção de media, ferramentas de automatização da conceção e sistemas incorporados distribuídos, com destaque para as abordagens de compromisso desempenho-energia e de conceção de códigos hardware-software.

Provas de Doutoramento (PDMD): ”Food Wide Web: a digital food and media literacy program addressed to adolescents”

Candidata
Adriana Aguiar Aparício Fogel

Data, Hora e Local:
20 de outubro de 2025, às 14:30 na Sala de Atos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Presidente do Júri:
Doutor António Fernando Vasconcelos Cunha Castro Coelho, Professor Associado com Agregação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Vogais:
Doutora Joana Alves Dias Martins de Sousa Ferreira, Professora Auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa;
Doutora Ivone Marília Carinhas Ferreira, Professora Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa;
Doutora Sara de Jesus Gomes Pereira, Professora Associada com Agregação do Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho;
Doutora Ana Filipa Pereira Oliveira, Professora Auxiliar da Faculdade de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias da Informação da Universidade Lusófona;
Doutor José Manuel Pereira Azevedo, Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Orientador);
Doutor Ricardo José Pinheiro Fernandes Morais, Professor Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Resumo:

O complexo e saturado ambiente mediático atual deu origem a uma “infodemia” — um excesso de informações, tanto corretas quanto enganosas — com potencial impacto na saúde das populações. No campo da nutrição, a ampla disseminação de conteúdos enviesados ou incorretos contribui potencialmente para comportamentos alimentares pouco saudáveis e pode ajudar a explicar a elevada prevalência global de obesidade. Os adolescentes são especialmente sensíveis a este fenómeno pelo facto de os seus processos de autorregulação não estarem plenamente desenvolvidos e devido à maior suscetibilidade à influência de estímulos externos durante esta fase. Este contexto reforça a importância de promover, de forma integrada, uma literacia alimentar e mediática junto dos jovens, fornecendo-lhes ferramentas que lhes permitam interpretar criticamente, questionar, e lidar conscientemente com as influências do marketing alimentar e da desinformação sobre nutrição. Este estudo desenvolveu-se nesta conjuntura e teve três objetivos principais: (i) desenvolver e implementar uma intervenção que integrasse as dimensões da literacia alimentar e mediática em contexto escolar; (ii) avaliar a sua efetividade na promoção da literacia alimentar e mediática de adolescentes; e (iii) contribuir para a caracterização dos níveis de literacia alimentar e
mediática dos adolescentes em Portugal. A intervenção consistiu em dez sessões de 45 minutos, abordando oito dimensões do sistema alimentar — produção; transformação; distribuição; planeamento e gestão; seleção; preparação e confecção; consumo; e gestão do desperdício — através das competências centrais da literacia mediática: acesso, análise, avaliação e criação. Os conteúdos incluíram materiais mediáticos que incentivaram a reflexão e o debate sobre o sistema alimentar global. O programa foi implementado entre outubro de 2022 e maio de 2023 em quatro escolas do norte de Portugal — duas integraram o grupo de intervenção e duas o grupo controlo. A amostra final foi composta por 202 estudantes entre os 13 e os 16 anos (M = 13,6; DP = 0,75). Foram recolhidas informações através de um questionário que englobou cinco áreas temáticas principais: (a) exposição à publicidade de alimentos, (b) satisfação com o peso corporal, (c) opiniões, atitudes e conhecimento sobre media e alimentos, (d) padrões de ingestão alimentar e (e) literacia relacionada com a alimentação e os conteúdos mediáticos. O questionário construído a partir de instrumentos pré-existentes incluía perguntas abertas e fechadas, tendo sido aplicado em ambos os grupos, antes e após as sessões. No grupo de intervenção, os projetos desenvolvidos em sala de aula também foram alvo de análise. Os dados quantitativos foram avaliados estatisticamente e os dados qualitativos foram sujeitos a uma análise temática híbrida (indutiva/dedutiva), seguida de análise de conteúdo. Após a análise qualitativa inicial, foi desenvolvido um sistema de pontuação que atribuiu valores numéricos às respostas. Em linha com os objetivos do projeto, as escolhas saudáveis e sustentáveis, bem como as avaliações críticas e as criações com incentivo à participação foram valorizadas. Para este sistema de pontuação contribuíam as perguntas fechadas mas também as ações baseadas em tarefas, permitindo uma avaliação quantificável e abrangente do impacto da intervenção nas literacias alimentar e mediática dos estudantes, bem como nos seus comportamentos associados. As questões fechadas incluíram uma escala de resposta de Likert, composta por 15 questões sobre atitudes, opiniões e conhecimentos, tendo sido pontuada de 0 a 4 em cada item, com um máximo possível de 60 pontos. A secção relativa à frequência do consumo alimentar foi convertida para a respetiva ingestão semanal que resultou num índice de adequação alimentar, com pontuações positivas atribuídas a comportamentos saudáveis (ex.: consumo de frutas e legumes) e negativas a comportamentos não saudáveis (ex.: consumo de fast food), com uma pontuação inicial entre – 15 e 38, posteriormente transformada numa escala com início em 0, para facilitar a interpretação. Por fim, a secção sobre literacia mediática alimentar avaliou a compreensão de rótulos alimentares (0 a 6 pontos possíveis, com base em respostas corretas) e a literacia publicitária (pontuação até 14 pontos), incluindo análise crítica de anúncios (um em imagem e um em vídeo) e uma atividade criativa aberta. As respostas foram analisadas consoante à sua complexidade, considerando a capacidade de interpretar estratégias de marketing e expressar ideias de forma crítica e criativa. A conversão dos dados qualitativos em escalas numéricas permitiu comparações estatísticas entre momentos (pré vs. pós) e entre grupos (controlo vs. intervenção; masculino vs. feminino). Os resultados demostraram que a intervenção desenvolvida foi exequível e efetiva. Observaram-se melhorias significativas na literacia publicitária dos alunos (1,5 vs. 1,9; p = 0,009) e na sua capacidade de interpretar rótulos alimentares (2,0 vs. 2,2; p = 0,039). Entre as meninas do grupo de intervenção, observou-se uma melhora significativa nas pontuações totais referentes a opiniões, atitudes e conhecimento sobre media e alimentos (36.8 vs 38.1; p = 0,037). Relativamente à satisfação corporal, diferenças significativas entre as meninas do grupo intervenção e as do grupo controlo no momento pré intervenção tornaram-se insignificantes após a intervenção (p = 0,015 vs. p = 0,402). O mesmo aconteceu com as diferenças entre as meninas e meninos do grupo intervenção, que eram significativasapenas antes do programa (p = 0,010 vs. p = 0,412). Estes dados refletem melhorias na satisfação com a imagem corporal particularmente entre as participantes do sexo feminino, que reportam uma relação mais equilibrada e saudável com o seu corpo e hábitos alimentares após a participação no programa. Com relação aos padrões alimentares, os participantes do sexo masculino também apresentaram melhorias porém em hábitos específicos, destacando-se um incremento no consumo de cereais e tubérculos (6.2 vs. 8.2; p = 0,032). Contudo, identificou-se uma preocupação persistente relacionada com o peso corporal: 43.5% das meninas manifestaram desejo de alterar o seu peso, embora apenas 28.3% declarassem estar fora do peso que considerariam normal. Entre os rapazes, 76.1% deles se declararam num peso normal, mas 35.8% reportaram o desejo de mudar o seu peso, mesmo após participarem da intervenção. Além disso, constataram-se lacunas no conhecimento sobre o padrão alimentar mediterrânico recomendado em Portugal, um importante aspeto na caracterização dos adolescentes. Considerando-se a totalidade da amostra, os estudantes revelaram dificuldades em responder adequadamente a questões relativas a este tópico, reportando níveis apenas moderados de adesão ao referido padrão alimentar. Neste quesito, os participantes obtiveram uma pontuação 30,6 (SD = 7,4), de um máximo de 53. Os adolescentes relataram ainda uma habitual exposição a anúncios de alimentos ricos em açúcar, sal e gordura, apesar das medidas regulatórias existentes. Apenas 6,7% declararam não ter visto publicidade destes produtos nos 30 dias anteriores à pesquisa. Concluindo, esta tese propõe um modelo conceptual inovador que integra a literacia alimentar e mediática. Sustentada por evidência empírica, inclui um plano de aulas devidamente organizado e instrumentos de avaliação detalhados, constituindo um recurso prático para educadores em geral. Os recursos de apoio utilizados nas sessões são potencialmente adaptáveis a diferentes contextos educativos e geográficos. Os resultados contribuem para o crescente corpo de evidência que apoia intervenções educativas de carácter abrangente e reforçam a importância de integrar a literacia alimentar e mediática nos currículos escolares como estratégia para promover o pensamento crítico e escolhas alimentares informadas. Por fim, os dados apontam que um esforço conjunto é essencial para preparar os adolescentes para navegar num ambiente alimentar cada vez mais complexo, promovendo escolhas mais saudáveis e conscientes. Neste sentido, uma colaboração entre decisores políticos, profissionais de educação e agentes dos sectores envolvidos (anunciantes, agências de publicidade, veículos de comunicação, plataformas
digitais) é essencial. As ações adotadas hoje têm um impacto importante na saúde e no bem-estar desta e das futuras gerações.

Palavras-chave: literacia mediática; literacia alimentar; media digitais; programa educativo em
ambiente escolar; adolescentes.

DEI Talks | “Declarative Programming” por Steven Pemberton (ACM Distinguished Speaker)

A palestra “Declarative Programming” será proferida por Steven Pemberton, investigador de renome na área da Ciência da Computação e das Tecnologias de Informação e ACM Distinguished Speaker, no dia 23 de outubro, às 10h00, na sala B033, e será moderada pelo Prof. João Ferreira. A entrada é livre.

Resumo:

“In the 50s, when the first programming languages were designed, computers cost millions, and relatively, programmers were almost free. Those programming languages therefore reflected that relationship: it didn’t matter if it took a long time to program, as long as the resulting program ran as fast as possible.
Now, that relationship has been reversed, which I call Moore’s Switch: compare to the cost of programmers, computers are almost free.
And yet we are still programming in descendants of the programming languages from the 50s: we are still telling the computers step by step how to solve the program.
Declarative programming is a new approach to applications: rather than describing exactly how to reach the solution, it describe what the solution should look like, and leaves more of the administrative parts of the program to the computer.
One of the few declarative languages available is XForms, an XML-based language that despite what its name might suggest is not only about form. Large projects, at large companies such as the National Health Service, the BBC and Xerox, have shown that by using XFoms, programming time and cost of application can be reduced to a tenth and sometimes even much more.”

Sobre o Palestrante:

Steven Pemberton is a distinguished researcher in the field of computer science and information technology, with a long and rich history of contributions to the development of the internet and the web. He is affiliated with the Dutch national research centre Centrum Wiskunde & Informatica (CWI) in Amsterdam, The Netherlands, where he conducts research on interaction, declarative programming, and web technologies.
At university he was tutored by Dick Grimsdale who built the world’s first transistorised computer, and who was himself a tutee of Alan Turing. After university, Pemberton — coincidentally — worked in Turing’s old department in Manchester, writing software for the 5th computer in the line of computers Turing had worked on.
Pemberton was the first user of the open internet in Europe when the CWI created the first connection in 1988, and has been involved with the web from its inception, co-designing several web standards, including HTML, CSS, XHTML, XForms, and RDFa. He chairs two groups at W3C.
In addition to his work on the web, Pemberton has also made significant contributions to other areas of computer science, such as the design of programming languages, having co-designed the language that Python is based on, and the study of human-computer interaction. His involvement with ACM includes being editor in chief of The SIGCHI Bulletin, and then ACM interactions for a decade; he has chaired the CHI Conference and he co-founded the Netherlands local SIGCHI group, and chaired several local CHI conferences there.
He has received numerous awards and recognitions for his work, including the ACM SIGCHI Lifetime Service Award and the ACM SIGCHI Lifetime Practice Award.
As a speaker, Pemberton is known for his engaging and informative presentations, which draw on his deep knowledge of computer science and his passion for technology, and cover both social and technological aspects of computing. His talks are always thought-provoking and entertaining, and he has been invited to speak at numerous conferences and events around the world. In 2023 he became an ACM Distinguished Speaker. He is bi-lingual in English and Dutch.
A fuller bio, videos, and a full list of talks is available on his website: https://www.cwi.nl/~steven”

António Coelho visita a Universidade do Ártico da Noruega para promover ensino imersivo e inovação pedagógica

O Prof. António Coelho, docente no Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), esteve recentemente em Tromsø, na Universidade do Ártico da Noruega (UiT), para reforçar laços com parceiros europeus e explorar novas metodologias de ensino ao abrigo da aliança universitária EUGLOH (European University Alliance for Global Health).

Contexto e objetivos da visita

A motivação da visita prende-se com a necessidade de renovar práticas pedagógicas, promovendo ambientes de aprendizagem mais imersivos e colaborativos. António Coelho lidera na Universidade do Porto o desenvolvimento de cursos que utilizam realidade virtual, simulações e videojogos educativos como instrumentos centrais no processo de ensino-aprendizagem. Um dos conceitos-chave que tem vindo a implementar são os chamados “Living Labs” — workshops, hackathons e cursos dirigidos por equipas interdisciplinares de estudantes e docentes, com uma forte componente de cocriação, inovação digital e serviços à comunidade.

Principais ideias defendidas

Ambientes de aprendizagem seguros para errar: nos jogos é permitido falhar e tentar de novo, algo que António Coelho vê como essencial na educação. Este tipo de ambiente incentiva os alunos a explorar, experimentar, e aprender através do erro, sem medo de falhar.

Realidade virtual e simulações: possibilitam criar uma sala de aula virtual comum, independentemente da localização geográfica, onde alunos e professores podem explorar cenários, tomar decisões e observar consequências em tempo real.

Colaboração interdisciplinar: para o Professor, juntar alunos com formações distintas (por exemplo informática, design, som, artes) potencia a criatividade, inovação e qualidades estéticas nos trabalhos, ao mesmo tempo que se reforçam competências essenciais no mercado de trabalho.

Internacionalização virtual: além da mobilidade física, salienta que a mobilidade virtual através dos ambientes imersivos pode aumentar significativamente a presença e qualidade da interação internacional, ultrapassando as limitações que plataformas de comunicação tradicionais têm.

Parcerias e projetos concretos

Durante a visita, António Coelho falou da colaboração com a EUGLOH, que está a promover vários cursos baseados no modelo de Living Lab, com participação da Universidade do Porto e outras instituições europeias, entre as quais UiT. Alguns dos cursos mencionados:

“Serious Games as a global health education tool”, a partir do outono de 2025, em universidades parceiras como a Ludwig-Maximilians-Universität München e Szeged.

“Putting the students first”, um curso que será ministrado online e presencialmente, envolvendo múltiplas instituições, com foco em “aprender a aprender” e no bem-estar e desenvolvimento pessoal dos estudantes.

A iniciativa liderada pelo Prof. António Coelho reforça uma visão de ensino moderno, aberto ao risco e à experimentação — um ensino em que falhar faz parte do processo de aprendizagem. “A visita à Universidade do Norte da Noruega foi mais do que um intercâmbio institucional: foi um passo concreto para transformar como se ensina, como se aprende e como se coopera em contextos internacionais. Espera-se que em breve possamos ver reflexos dessas ideias aplicadas também em projetos da FEUP, com benefícios diretos para estudantes e docentes” assinala o Professor na reflexão sobre a recente missão.

Miguel Abreu, alumnus ProDEI, conquista a Melhor Tese de Doutoramento em Inteligência Artificial de 2024 da APPIA

Por Nuno Teixeira, SICC, FEUP

“O prémio da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial (APPIA) para a Melhor Tese de Doutoramento em Inteligência Artificial de 2024 foi atribuído a Miguel Abreu, antigo estudante do Programa Doutoral em Engenharia Informática (PRODEI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

A tese premiada, intitulada “Symmetry, hierarchical structures and shallow neural networks: Advancing reinforcement learning for humanoids” e desenvolvida sob orientação de Luís Paulo Reis (FEUP) e Nuno Lau (Universidade de Aveiro), representa um avanço significativo na aplicação de aprendizagem por reforço em robôs humanoides, explorando a simetria, estruturas hierárquicas e redes neurais pouco profundas para aumentar a eficiência e robustez de sistemas robóticos complexos.

O contributo de Miguel Abreu foi fundamental para os sucessos da equipa FC Portugal, tetracampeã mundial na liga de Simulação 3D de Robôs Humanoides do RoboCup (2022, 2023, 2024 e 2025), onde participou ativamente no desenvolvimento de algoritmos avançados de controlo, planeamento e cooperação entre robôs.

Atualmente, Miguel Abreu trabalha no Centro Aeroespacial Alemão (DLR – German Aerospace Center), em Munique, onde prossegue investigação na área da robótica inteligente e sistemas autónomos.

A cerimónia de entrega do prémio de Melhor Tese de Doutoramento em Inteligência Artificial de 2024 decorreu no passado dia 2 de outubro, durante o jantar da 24.ª edição do EPIA – Encontro Português de Inteligência Artificial, realizada em Faro.

O prémio inclui um certificado oficial e um valor monetário simbólico de 1000 euros.

Criado em 2007, o Prémio APPIA para a Melhor Tese foi inicialmente atribuído de forma bienal, mas, desde 2022, passou a ser anual, com o objetivo de destacar o mérito científico de investigações de excelência no domínio da Inteligência Artificial em Portugal.”

DEI Talks | “Software process modeling and test automation: Introducing the Reliable Software Architectures Research Group” pelo Prof. Přemek Brada

A palestra intitulada “Software process modeling and test automation: Introducing the Reliable Software Architectures Research Group” será apresentada no dia 9 de outubro, às 15:30, na sala B031, e será moderada pela Prof. Ana Paiva (DEI).

Resumo:

“In this talk, I will give an overview of research done by the Reliable Software Architectures Research Group at the University of West Bohemia in Pilsen, Czechia. The focus will be on analysing software process data to detect project management (anti-)patterns, where we’ll discuss the challenges in modeling software process elements in a way that is conducive to mapping onto the information gathered in project management tools. We’ll also touch the topic of analyzing software implementations to perform advanced verification and testing.”

Sobre o Palestrante:

Přemek Brada é Professor Associado na área de Engenharia de Software no Departamento de Engenharia e de Ciência da Computação da University of West Bohemia, em Pilsen, Czechia. A sua investigação abrange as áreas de consistência da arquitetura de software, métodos interativos de visualização de arquitetura e metodologias de desenvolvimento de software, incluindo a análise de dados de processos relacionados. Leciona, ao nivel de licenciatura e mestrado, unidade curriculares de design e modelagem orientados a objetos, práticas avançadas de engenharia de software e também gestão do conhecimento. Atualmente, é Diretor de departamento e membro do Conselho da Informatics Europe, a associação de faculdades e departamentos de informática europeus.

GNU Tools Cauldron 2025 reuniu especialistas internacionais na FEUP

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu, entre 26 e 28 de setembro, a 14.ª edição da GNU Tools Cauldron, uma conferência técnica de referência mundial dedicada à GNU Toolchain e às ferramentas de desenvolvimento open source associadas.

Este encontro internacional decorreu pela primeira vez em Portugal e reuniu cerca de 140 participantes vindos de mais de uma dúzia de países, incluindo Canadá, Alemanha, República Checa, Reino Unido, Irlanda, Portugal, Países Baixos, França, Índia, Estados Unidos, Bélgica, China, África do Sul e Brasil.

Um evento com história e impacto global

Criada em 2012, a GNU Tools Cauldron tem sido organizada anualmente, passando por algumas das universidades mais prestigiadas do mundo, como a University of Cambridge (Reino Unido), a Charles University (República Checa) e a University of Manchester (Reino Unido), chegando agora à Universidade do Porto. Ao longo da sua história, o evento já teve lugar em cidades como Mountain View, Praga, Cambridge, Manchester, Hebden Bridge, Montreal e Porto. A realização da conferência em parceria com instituições de ensino superior tem como objetivo reforçar a ligação entre a comunidade internacional de desenvolvimento open source e o meio académico, promovendo o envolvimento direto de estudantes e investigadores.

Esta conferência técnica foca-se na GNU Toolchain — que inclui ferramentas fundamentais, como gcc e gdb, e utilitários e bibliotecas, como binutils e glibc — e em projetos associados (ltrace, poke, systemtap, valgrind, entre outros). Trata-se de um ecossistema crítico para a maior parte das distribuições Linux de referência (AlmaLinux, CentOS Stream, Debian, Fedora, Gentoo, RHEL, Rocky Linux, SUSE, Oracle Linux), desempenhando um papel central na cadeia global de fornecimento de software open source seguro.

Colaboração entre indústria e academia

A edição de 2025 contou com o apoio do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FEUP, como coorganizador, aproximando a comunidade académica das pessoas que contribuem para a GNU toolchain e para outros software open source. Durante três dias, desenvolvedores de software, investigadores, professores universitários, engenheiros e estudantes tiveram oportunidade de assistir a apresentações e debates liderados por especialistas internacionais na área de compiladores, toolchains e normalização de linguagens software.

Os participantes incluem colaboradores ativos em organismos de definição de normas internacionais, como ISO C, ISO C++, DWARF, OpenMP, POSIX/IEEE e Rust, contribuindo diretamente para a evolução das linguagens e ferramentas usadas por milhões de programadores em todo o mundo.

“É um prazer acolher este evento pela primeira vez em Portugal e, em particular, no Porto. As contribuições do GNU tiveram um impacto profundo no ensino, na investigação e no avanço tecnológico para o bem comum”, sublinhou o Diretor do DEI, Prof. João Paiva Cardoso, na sessão de abertura.

Apoio institucional e empresarial

O desenvolvimento da cadeia de ferramentas GNU faz parte do Projeto GNU e é apoiado pela FSF e por uma comunidade mundial de programadores e patrocinadores empresariais.

O GNU Tools Cauldron 2025 contou com o patrocínio e apoio de importantes empresas e instituições internacionais: AdaCore, AMD, ARM, BayLibre, Embecosm, NVIDIA, Open Source Security, Synopsys, Pretalx (software de gestão de conferências), Pretix (plataforma de bilhética) e FEUP, que coorganizou e apoiou logisticamente o evento.

Página do evento: https://conf.gnu-tools-cauldron.org/opo25/
Vídeos de todas as sessões do evento: https://www.youtube.com/playlist?list=PL_GiHdX17WtxuKn7QYme8EfbBS-RKSn0w

DEI Talks | “Networks, networks, and more networks: applications in humanities, data science, and machine learning” pela Prof. Ana Bazzan

A palestra “Networks, networks, and more networks: applications in humanities, data science, and machine learning” será apresentada dia 1 de outubro, às 14:45, na sala B004, moderada pelo Prof. Rosaldo Rossetti (DEI).

Resumo:

“It is known that networks or graphs can be used in machine learning and data science to represent and analyze data that has complex relationships. Besides these uses, networks are also relevant to the overall AI agenda in at least two aspects. First, it relates to automated data gathering and language models in the semantic web, since the actual data have to be acquired in some manner in order to form the graphs. Second, it can be used to accelerate learning tasks, as in the case of reinforcement learning. In this talk I present examples of how data is acquired and used in applications in the Humanities (history, storytelling) in order to discover patterns and/or to investigate assumptions. Then, I discuss applications on data science and machine learning, as for instance the use of networks in reinforcement learning, with examples from urban mobility and car to infrastructure communication.”

Sobre a Palestrante:

Ana Bazzan é Professora Catedrática de Ciências da Computação no Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, Brasil. A sua investigação centra-se em sistemas multiagentes, em particular na modelação e simulação baseadas em agentes (ABMS), e na aprendizagem multiagente no domínio dos transportes. Desde 1996, tem colaborado com vários investigadores na aplicação de ABMS e teoria dos jogos a domínios das ciências sociais, tais como a emergência da cooperação, o dilema do prisioneiro e jogos de bens públicos. Nos últimos anos, tem contribuído para diferentes tópicos relacionados com as cidades inteligentes, centrando-se nos transportes, bem como nas sinergias entre sistemas multiagentes, aprendizagem automática e sistemas complexos. Em 2014, Bazzan foi General Co-chair da AAMAS (a principal conferência na área dos agentes autónomos e sistemas multiagentes).

Festa do Software Livre 2025

Na próxima semana, entre os dias 3 e 5 de outubro, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) não será apenas palco de um evento, mas sim de uma demonstração prática do futuro da tecnologia. A Festa do Software Livre 2025, de entrada gratuita, transcende a ideia de uma simples conferência. Posiciona-se como uma aula aberta e essencial para estudantes, educadores e empresários sobre um dos pilares mais importantes, e muitas vezes invisível, do mundo digital: o Software Livre.

Numa era em que a tecnologia é dominada por licenças dispendiosas e ecossistemas fechados, a FSL surge como um lembrete poderoso de que existe uma alternativa mais democrática, segura e flexível. Mas qual é, afinal, a importância do software livre e por que razão um evento como este é tão crucial para o panorama educativo e empresarial português?

Uma Lição de Autonomia e Inovação
No coração do movimento do software livre existe uma ideia simples, mas revolucionária: a tecnologia que usamos deve estar ao nosso serviço, e não o contrário. Baseia-se em quatro liberdades fundamentais: a de usar, estudar, partilhar e, crucialmente, modificar o software. É esta capacidade de “abrir o capot” que transforma um estudante de um mero consumidor de tecnologia num criador ativo e solucionador de problemas.

Para o sistema de ensino, isto representa uma oportunidade pedagógica imensa. Escolas e Universidades podem equipar os seus laboratórios com sistemas operativos e ferramentas de programação de ponta, como o Linux ou o Blender (para modelação 3D), sem gastar um cêntimo em licenças. Mais importante ainda, permitem que os estudantes explorem, desmontem e compreendam o código que faz o mundo digital funcionar, fomentando o pensamento crítico e a inovação desde a base. A Festa do Software Livre materializa esta ideia, com workshops práticos onde se pode aprender a programar, a proteger a sua privacidade online ou a dar os primeiros passos em Inteligência Artificial, usando ferramentas abertas e acessíveis a todos. O Motor Secreto da Economia Digital

Para o meio empresarial, a mensagem é igualmente clara: o software livre não é uma alternativa de ‘segunda linha’, mas sim o motor que alimenta gigantes tecnológicos. A internet, como a conhecemos, assenta em grande parte sobre tecnologias de código aberto. Adotar software livre permite às empresas portuguesas, desde startups a PMEs, reduzir drasticamente os custos operacionais, mas os benefícios vão muito além da poupança. Significa ter soberania tecnológica: a capacidade de adaptar o software às necessidades exatas do negócio, sem ficar refém de um único fornecedor e das suas políticas de preços. Significa ter mais segurança, pois o código pode ser auditado por uma comunidade global que identifica e corrige falhas de forma transparente e rápida.

A presença na FSL de entidades como a ESOP (Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas) demonstra que já existe um ecossistema empresarial vibrante em Portugal a prosperar com base neste modelo. O evento funciona, assim, como uma ponte, mostrando aos futuros engenheiros as oportunidades de carreira neste setor e, aos empresários, as vantagens competitivas de uma aposta estratégica na tecnologia aberta.

Um investimento para o futuro
Em resumo, a Festa do Software Livre 2025 é muito mais do que um encontro de entusiastas. É um investimento no futuro do país. É a prova viva de que, ao abraçar os princípios da colaboração e do conhecimento aberto, Portugal pode capacitar os seus estudantes para serem os inovadores de amanhã e fortalecer as suas empresas para competirem numa escala global. A aula está prestes a começar, e a entrada é livre.

Consulte o programa do evento e participe!

https://festa2025.softwarelivre.eu

A FSL 2025 tem o apoio do Departamento de Engenharia Informática (DEI).